CHRIS HANI - JAMAIS VAI SER ESQUECIDO!


Chris Hani, um herói sul-africano
Os socialistas e outros democratas sul-africanos prestaram homenagem a um dos seus heróis mais queridos, Chris Hani, no 20.º aniversário do seu assassinato.


Umkhonto we SizweCom a convicção de que milhões de pessoas encontram hoje na vida exemplar do combatente caído um modelo que deveria inspirar os atuais dirigentes da pátria de Mandela.

No cargo de secretário-geral do Partido Comunista da África do Sul (SACP) e antigo chefe do estado-maior do Umkhonto we Sizwe (MK) – «A Lança da Nação», braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC) durante a luta anti-racista –, Hani foi morto a tiro em Abril de 1993, um ano antes das primeiras eleições democráticas que puseram fim ao apartheid. O autor do crime, um imigrante polaco, estava trabalhando para uma organização nazista.
Nascido em 1942, Chris Hani juntou-se à Liga da Juventude do ANC ainda estudante. Depois de uma passagem pelas prisões do apartheid, exilou-se no Lesotho em 1963. Recebeu treino militar na União Soviética e, nas fileiras do MK, participou de armas na mão em ações contra a Rodésia de Ian Smith e o regime racista de Pretória. Depois de passagens pelo Lesotho e Zâmbia, em meados dos anos 70 regressou clandestinamente à África do Sul e trabalhou na organização da resistência. Em 1991 substituiu Joe Slovo à frente do SACP.
Dois anos depois, a sua morte marcou um ponto de virada na história recente da África do Sul. As tensões raciais explodiram e Nelson Mandela teve de fazer um apelo dramático à nação: «O assassinato a sangue-frio de Chris Hani provocou ondas de choque através do país e do mundo. É agora tempo de todos os sul-africanos se manterem juntos contra os que, de qualquer quadrante, querem destruir aquilo por que Chris Hani deu a vida – a liberdade de todos nós».
O processo de negociações já então em curso acelerou-se e as duas partes – o ANC e os partidos do apartheid – rapidamente chegaram a acordo. As primeiras eleições democráticas realizaram-se em Abril de 1994, um ano depois da morte de Hani. A vitória esmagadora do ANC de Mandela marcou o começo do desmantelamento do apartheid.


 O socialismo é o futuro 

Nestes dias, duas décadas após o seu desaparecimento, as homenagens a Chris Hani chegaram de todos os lados.
Mbulelo Musi, um antigo combatente, recordou que a morte de Hani foi um rude golpe para a aliança revolucionária (que inclui o ANC, o SACP e a central sindical COSATU), para a nação e a humanidade progressista. «Ele era um internacionalista que ensinou com palavras e atos que a libertação da África do Sul estava estreitamente ligada à libertação do continente e do mundo», lembrou. 
E mais: «A sua dedicação e o seu compromisso no combate pela liberdade, igualdade, justiça, paz e democracia, a sua visão, as suas qualidades de dirigente corajoso e a sua compaixão pelos pobres e vulneráveis do nosso país motivaram numerosos jovens a desafiar a morte para libertar o povo sul-africano».
Para o ex-guerrilheiro do MK, «agora que o país se debruça sobre a vida e a época de Chris Hani, a melhor maneira de lhe prestar homenagem seria fazer nossos o seu empenho pela liberdade e democracia, a sua dedicação, o seu patriotismo e o seu amor pela África do Sul, bem como o comprometimento na construção de um país melhor, uma África melhor, um mundo melhor».
Também Jacob Zuma, presidente da África do Sul, homenageou publicamente Chris Hani. Assegurou que honrar a sua memória é trabalhar por «dar uma vida melhor a todos os sul-africanos». Considerou que o governo tem feito grandes esforços para alargar serviços básicos como o abastecimento de água e de electricidade, para fazer chegar apoios sociais às populações. «No momento em que assinalamos 19 anos de liberdade e democracia, enfatizamos que os governantes e os funcionários públicos devem trabalhar para melhorar a vida dos pobres», disse o líder do ANC.
Igualmente o atual secretário-geral do SACP, Blade Nzimande, discursou num acto de homenagem a Chris Hani. Lembrou o seu percurso de combatente e o fato de Hani ser, no início dos anos 90, a figura política mais popular na África do Sul, depois de Mandela. Popularidade, acrescentou, que não foi conquistada pelas primeiras páginas dos media, nem por «populismo barato» ou, menos ainda, pela arrogância da riqueza e do poder, mas por anos de luta e de sacrifício pessoal.

Nzimande afirmou que honrar a memória de Chris Hani é reforçar a aliança estratégica entre o ANC, os comunistas e os sindicatos, para cumprir e aprofundar a revolução democrática nacional, rumo ao socialismo: «O socialismo é o futuro – Vamos construí-lo agora!».
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