GOVERNO GREGO USA O MESMO EXPEDIENTE UTILIZADO POR ALKIMIM NA USP PARA CRIMINALIZAR MOVIMENTOS SOCIAIS


Governo grego monta provocação

A polícia grega investiu contra um grupo de ativistas sindicais da PAME, ferindo nove e detendo outros 35, durante uma ação de protesto, em Atenas, contra a reforma da Segurança Social. A ação teve lugar junto ao Ministério do Trabalho, onde se concentraram várias dezenas de sindicalistas, em protesto contra as declarações do titular da pasta, Iánnis Vrutsis, para quem o sistema de Segurança Social é o resultado de «uma mentalidade clientelista».

Procurando obter explicações do governante, uma delegação de ativistas sindicais entrou no edifício e ocupou pacífica e simbolicamente parte das instalações exigindo uma audiência com o ministro.  Pouco depois a polícia de choque irrompe no Ministério e agride os sindicalistas à bastonada, usando gás lacrimogéneo e gás pimenta. O destacamento de intervenção investe igualmente contra os manifestantes no exterior, cujo número atinge rapidamente algumas centenas.

Em seguida dirigem-se para o posto central da polícia para reclamar a libertação dos camaradas detidos: «Libertem os trabalhadores, eles não são terroristas. Nós queremos trabalho».  Algumas horas mais tarde, o governo divulga fotos com destruições causadas alegadamente pelos sindicalistas em gabinetes do Ministério.  As imagens mostram mobiliário danificado, computadores e documentos espalhados no chão e servem para acusar o sindicato de vandalização do Ministério.

A PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores) nega de imediato as acusações e acusa a polícia de ter provocado as destruições, numa clara manobra de provocação.  A secretária geral do Partido Comunista da Grécia, Aleka Papariga, junta-se aos manifestantes frente à sede da polícia, onde exige que o ministro do Trabalho divulgue imagens da alegada vandalização dos gabinetes por parte dos sindicalistas e defende o direito ao protesto: «Quando um ministro faz declarações provocadoras, os representantes sindicais têm o direito de reagir e de se manifestar. Foi apenas isto que se passou e nada mais».

No dia seguinte, milhares de pessoas concentraram-se frente ao posto da polícia onde os sindicalistas permaneciam detidos.  Ouvidos pelo tribunal, são finalmente libertados, sendo-lhes imputado como único delito a «manifestação ilegal num lugar público». A acusação de destruição de bens foi retirada, provando-se que as fotos divulgadas foram uma provocação montada pelo governo.


OS 72 DA USP
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