PANAMENHOS EXIGEM QUE O PAÍS NÃO SEJA USADO PARA DESESTABILIZAR A REGIÃO

O encontro regional, que ocorre na capital panamenha entre sexta-feira (10) e sábado (11), vai abrigar a primeira reunião entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente cubano, Raúl Castro, desde que ambos anunciaram uma histórica reaproximação entre os dois países, em dezembro. Entretanto a tensão entre os EUA e a Venezuela se intensificou depois que a Casa Branca classificou o país sul-americano como uma ameaça de segurança.
 
Organizações sindicais e sociais panamenhas exigem que o Executivo nacional se abstenha de usar o país como plataforma para uma política que tenta mudar governos legalmente constitucionais como Cuba e Venezuela.

 
Em declarações à Prensa Latina, o secretário geral da Central de Trabalhadores do Panamá, Alfredo Graell, disse que se a contrarrevolução cubana e os opositores venezuelanos realizam atos violentos e manifestações, as organizações sociais panamenhas se dão o direito de protestar e frear este tipo de atividades.

Lembrou como, em 2000, Luis Posada Carriles e mais três terroristas tentaram colocar uma bomba, que se tivesse estourado, teria acabado com quatro faculdades da Universidade do Panamá e impactaria um hospital da Caixa do Seguro Social.

Aqui estão, tentando fazer atos terroristas, alguns daqueles que abraçaram Posada Carriles em Miami, assegurou.

Graell denunciou que o Foro da Sociedade Civil é objeto de manipulação por parte da Organização de Estados Americanos (OEA), da direita internacional e da CIA.

Sobre esse tema afirmou que organizações nacionais e outras históricas como a Central de Trabalhadores de Cuba foram excluídas.

"Se falamos de foros democráticos, deve ser dada participação igual a todos", argumentou.

Em carta aberta enviada recentemente à Chanceler Isabel de Saint Malo, membros de 15 organizações sindicais, estudantis, populares e de solidariedade manifestaram sua profunda preocupação devido "as reuniões, atividades e mobilizações de protestos convocados por setores de oposição e dissidências das repúblicas de Cuba e Venezuela".

Por tais motivos "solicitamos respeitosamente ao governo nacional que tome as medidas apropriadas, caso contrário as organizações populares panamenhas faremos respeitar nosso país, ao mesmo tempo em que os responsabilizamos por qualquer situação lamentável que possa se apresentar, conclui a carta.
Panamá, 9 abr (Prensa Latina)
 
Cúpula das Américas
 
A Cúpula das Américas é uma reunião de cúpula entre os chefes de Estado do continente americano criada pela Organização dos Estados Americanos com o objetivo de alcançar um nível maior de cooperação entre os países da zona econômica americana.

A Cúpula das Américas foi desenvolvida pela primeira vez no dia 9 de dezembro de 1994, em Miami, nos Estados Unidos. Nesta ocasião os Estados Unidos apresentaram formalmente a proposta de uma Área de Livre Comércio entre todos os países americanos, com exceção de Cuba. Segundo o governo norte-americano, os alicerces da ALCA não seriam respeitados em Cuba. Esse acordo prevê uma união, no contexto global, de praticamente todos os países da América, que procuram estreitar caminhos de uniões comerciais entre si e o desenvolvimento dos países como Argentina, Bahamas, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Venezuela, com acordos de diminuição alfandegária e entre outros.

A Cúpula das Américas abrirá um novo capítulo nas relações entre os países americanos quando os presidentes de Estados Unidos e Cuba se reunirem durante o encontro, deixando para trás as profundas divisões ideológicas que afetaram a região por décadas, disse nesta quarta-feira (8) o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela.
 
"Essa reunião será muito importante e positiva para o continente. Esperamos que nosso país anfitrião possa ser útil a esse encontro", disse Varela em uma entrevista concedida à Reuters em seu gabinete, no Palácio das Garças, sede do governo panamenho.
 
 "Temos muita expectativa de que nessa cúpula nasça uma nova luz, uma nova época, uma esperança para os cidadãos do continente", disse Varela, um engenheiro industrial de 52 anos que estudou nos EUA.
 
Embora tenha crescido, nos últimos quatro meses, a expectativa de uma aproximação definitiva entre Washington e Havana, a tensão entre os EUA e a Venezuela se intensificou depois que a Casa Branca classificou o país sul-americano como uma ameaça de segurança.
 
"Na cúpula haverá espaços sociais e diplomáticos suficientes para que os chefes de Estado possam conviver e reduzir essa tensão", afirmou Varela, referindo-se à crescente animosidade entre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e Obama, o que pode contagiar outros países da região.
 
 
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