Haddad defende apoio a iniciativas culturais da periferia



O prefeito Fernando Haddad e o secretário municipal de Cultura de Nabil Bonduki (PT), reuniram-se com representantes de projetos que serão subsidiados pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Secretaria Municipal de Cultura.

O programa tem entre os seus objetivos o estímulo à criação, o acesso, a formação e a participação do pequeno produtor e criador no desenvolvimento cultural da cidade e a promoção da inclusão cultural. A Comissão de Avaliação e Propostas do VAI analisou 1.395 projetos recebidos, dos quais 850 foram inscritos na modalidade do VAI 1 e 545 na modalidade do VAI 2. Após a leitura e avaliação, foram selecionados 170 projetos no VAI 1 e 61 no VAI 2.

"Tenho certeza de que muita gente boa deve ter ficado de fora. Nós devemos continuar os nossos esforços para ampliar os recursos para o VAI. Todo esforço necessário vai ser empreendido para valorizar cultura dos bairros da cidade. VAI é uma porta de entrada para muitas outras portas existentes na cidade para valorizar a cultura paulistana", afirmou o prefeito Fernando Haddad.


Segundo Bonduki, também autor do projeto de lei que criou o programa em 2003, a primeira edição do projeto contou com R$ 1 milhão. Em 2013, início da atual gestão, eram cerca de R$ 4 milhões. Atualmente, mais de R$ 9 milhões do orçamento da pasta são destinado ao subsídio dos projetos do VAI.

"Nós temos uma disponibilidade orçamentária, embora muito maior do que foi no ano passado, ainda restrita perante as necessidades e o tamanho da cultura da cidade. O crescimento é grande, mas infelizmente não conseguimos contemplar a todos. Para isso a secretaria tem outros projetos e programas, que contemplam outras modalidades", pontuou o secretário, destacando os Pontos de Cultura, parceria do município com o governo federal que tem como intuito o apoio e o fomento de entidades culturais, portadoras do cadastro nacional de pessoa jurídica.

Como nas demais edições do programa, em 2015 foram privilegiados os projetos oriundos de locais do município desprovidos de recursos e equipamentos culturais, ou seja, as regiões mais periféricas.

"O apoio [do VAI] é muito importante porque ele dá um boom no projeto. A força do grupo e a vontade de querer se profissionalizar muda muito com esse reconhecimento", disse Edson Guedes, contemplado pelo VAI 1 pelo projeto 'Circulação! dos bobos, bocós, burraldos e paspalhões', de Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital.

A estilista Manuela Gonçalves também teve o seu projeto contemplado, neste caso pelo VAI 2. Ela é uma das fundadoras da Casa das Crioulas, um espaço cultural de formação sobre matrizes feministas afro-brasileiras e de brincadeiras infantis localizado em Perus, na zona norte da cidade. "O VAI só valida algo que a gente já faz ou que a gente já intenciona. Com muito esforço eu fiz a Casa das Crioulas, fortalecendo um grupo e um projeto. É um espaço dedicado à reflexão, formação e difusão da cultura negra feminista que tem como objetivo contribuir para um processo de produção e ampliação da cultura indígena e afro-brasileira, oportunizando o diálogo e a sensibilização através da arte para mulheres e crianças que não têm acesso à produção cultural", disse.

Cerca de um terço dos contemplados no VAI 1 já receberam apoio do Programa em outras edições, em sua maioria uma única vez, o que significa que a maior parte dos grupos selecionados no VAI 1 estão no programa pela primeira vez. Já no VAI 2, é o oposto, pois foi dada preferência aos grupos que já têm mais experiência e estão a caminho de maior consolidação. Dos 61 coletivos selecionados, 75% já passaram pelo VAI, a maioria mais de uma vez, sendo que oito foram aprovados pela segunda vez no VAI 2. Ao mesmo tempo, 15 projetos selecionados são de grupos que nunca estiveram no Programa.

Na última semana, a pasta divulgou a relação dos 231 projetos que serão contemplados neste ano.
A relação dos projetos contemplados pelo VAI em 2015 pode ser conferida no site oficial do programa.
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