THOMAS PIKETTY, AUTOR DO LIVRO “O CAPITAL NO SÉCULO XXI”, DEFENDE A TAXAÇÃO PROGRESSIVA DE RENDA

Para diminuir a desigualdade, é preciso apostar em políticas de valorização do salário mínimo e de inclusão. E uma educação de qualidade é o principal caminho, já que jovens mais pobres vão para universidades de má qualidade, perpetuando a situação de pobreza, afirmou o economista francês Thomas Piketty a uma plateia de estudantes, durante palestra na Universidade de São Paulo.


— A diminuição de desigualdade de renda depende de políticas de valorização do salário mínimo e de políticas inclusivas. A difusão de educação de qualidade é o mais importante mecanismo para diminuir a desigualdade de renda — afirmou o autor de “O Capital no século XXI”, recém-lançado no Brasil (Intrínseca).



PIKETTY: BRASIL TEM PIOR DISTRIBUIÇÃO DE RENDA QUE EUA



Thomas Piketty, autor do livro O capital no século XXI e professor da Escola de Economia de Paris, afirmou nesta quarta-feira, 26, que, com base em dados fiscais, há pior distribuição de renda no Brasil do que nos EUA. Segundo ele, a desigualdade é subestimada, sobretudo devido à dificuldade de acesso a dados disponíveis pela Receita Federal. “Como em outros países, o Brasil precisa de mais transparência sobre renda e riqueza. Impostos progressivos sobre renda poderiam ser poderosos instrumentos de informação sobre distribuição de riqueza no País.”

Piketty afirmou ainda que, apesar de o capitalismo hoje exibir mais mobilidade no segmento que representa o 1% mais rico em diversas economias avançadas do que no século 19, o sistema ainda é “muito concentrador” de renda, o que gera grandes níveis de desequilíbrios de distribuição de riqueza.

“Mesmo que haja mobilidade na camada mais rica, o aumento da riqueza desse segmento da sociedade é três ou quatro vezes mais rápido do que é registrado pela maioria da população”, comentou Piketty, ao responder uma pergunta de André Lara Resende, um dos pais do Plano Real. Na avaliação de Resende, o capitalismo hoje tem muito mais dinamismo social do que no século 19, onde as sociedades tinham uma característica patrimonialista. “Há também maiores elementos de inovação tecnológica, o que amplia a mobilidade social”, comentou o economista brasileiro.

“Pode haver hoje mais mobilidade entre aqueles que estão entre o 1% ou 0,1% mais rico do que há 100 anos. Contudo, a concentração de renda está aumentando muito pelo mundo”, rebateu Piketty. “Mesmo com o aumento da inovação, está ocorrendo mais iniquidade de renda. Então, um dos instrumentos que podem ajudar nesta questão são impostos progressivos sobre renda.”.
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