CANAL LIVRE - PROGRAMA VALE-TUDO TUCANO-MIDIÁTICO CAMUFLA INFORMAÇÕES

Neste domingo (9), o Canal Livre ENTREVISTOU O professor Benedito Braga. A apresentação do programa foi feita pelo colaborador midiático Ricardo Boechat e com os entrevistadores da bancada do PIG Fernando Mitre e Rafael Colombo.

A operação-abafa do programa Camuflou o governo do PSDB e da Sabesp, DIRECIONANDO  todas as perguntas como sendo QUESTÕES SOBRE UMA escassez de água no país. 


É engraçado relembrar que, diante do debate sobre a grave crise em março/2014, o especialista Braga salientou à população sedenta que devemos: " fechar a torneira e rezar"
Foi grave a afirmação de que um aqueduto não tem o mesmo valor econômico de um oleodutoAproximadamente 8/9 minutos do programa aborda o aspecto da desigualdade regional - Brasil é um dos países mais ricos em água do planeta, Cerca de 12% da água doce superficial disponível na Terra estão aqui, COM uma distribuição muito desigual POR região. EXEMPLIFICANDO O Norte, com 7% da população, possui 68% da água do Brasil; enquanto o Nordeste, com 29% da população, possui 3%; e o Sudeste, com 43% da população, conta com apenas 6%.  
AFIRMANDO EQUIVOCADAMENTE QUE a amazônia tem 70%  da água existente no Brasil (outros cientistas afirmam 80%)Fernando Mitre, exemplificou a tecnologia dos Oleodutos e, perguntou para Braga: Existe a possibilidade de um Aqueduto para transferência de água do Rio Amazonas para o Sudeste?
- A resposta de Braga foi técnica: Os resultados de rentabilidade econômica por metro cubico de água X petróleo são diferentes. 
Assim fica camuflada analises da qualidade da água "potável" como elemento de maior importância para todas as formas de vida na terra. Braga prefere defender  a água de esgoto contaminada e a dessalinização, pois tem maior rentabilidade nos investimentos.

Pelo curriculum do BENEDITO P.F. BRAGA JR. percebemos os motivos para seu diagnóstico: "falta de chuva na região, uso desenfreado da água existente pela população e complexidade na realização de obras e infraestrutura hídrica"
Área de Competência Técnica de Braga :
Previsão Hidrológica, Modelagem Matemática, Planejamento de Recursos Hídricos com Múltiplos Objetivos, Pesquisa Operacional aplicada a Recursos Hídricos e Hidrologia Ambiental
Ele presidiu a international water resources association (iwra) e o conselho intergovernamental do programa hidrológico internacional da unesco em paris. 
No âmbito do gerenciamento de recursos hídricos do Estado de São Paulo o prof. Braga participou, como representante regional da ABRH, do comitê da bacia do Alto Tietê e do Conselho Estadual de Recursos Hídricos. Em 2010 foi o representante da USP no CONSEMA – Conselho Estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
Foi Diretor da Divisão de Hidrologia do CTH/DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Governo de São Paulo) - (A principal função do DAEE é estabelecer a política de utilização dos recursos hídricos, tendo em vista o desenvolvimento integral das bacias hidrográficas. Entre outras atividades, elabora estudos e projetos relativos ao aproveitamento integral dos recursos hídricos.)
Conselheiro do EMAE, que é a  Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A., concessionária de geração de energia que opera o sistema hidráulico e provê energia elétrica localizado na Região Metropolitana de São Paulo, no Médio Tietê, na Baixada Santista e no Vale do Paraíba.


































Segundo diversos especialistas, os vinte anos de gestão estadual do PSDB não providenciaram os investimentos necessários para garantir o equilíbrio do sistema de abastecimento de água, com capacidade de suportar períodos de estiagem.

Delmar Mattes: Em entrevista exclusiva ao Brasil Debate, geólogo e consultor Delmar Mattes disse que  “A Sabesp se mercantilizou e a lucratividade passou a ser seu maior objetivo”.
O governo do PSDB e a Sabesp ignoraram os alertas de especialistas, feitos em 2004, para o risco de uma crise de abastecimento de água no caso de uma seca prolongada, como esta que castiga o Estado de São Paulo. 
A verdade é que a política da SABESP é  aumentar o volume de água vendida para poder ter um elevado faturamento.
O governo do estado transformou a Sabesp numa empresa com fins lucrativos. Ela hoje tem ações na bolsa de Nova Iorque e na Bovespa. De 2010 a 2013, seus lucros superaram 1 bilhão de reais por ano. Começou com R$ 1,2 bi e, em 2013, teve quase R$ 2 bi. Como ela tem essa lucratividade? A ela, interessa vender bastante água. A lucratividade vem pelo volume de água fornecida. E essa água é obtida em áreas cada vez mais distantes, mediante a construção de obras para a sua preservação e transporte.

A água é um patrimônio e um bem essencial e vital à sobrevivência da população. Esse bem essencial e vital é vendido na bolsa com fins lucrativos, prejudicando outras políticas, que podemos comentar em seguida. O nome disso é mercantilização da água. Existem movimentos no mundo inteiro contra a privatização e mercantilização da água. Vale lembrar que tivemos um grande movimento na Bolívia contra tal política, a ponto de derrubar o presidente e mandar embora do país a empresa norte-americana que tinha a concessão do serviço, em Cochabamba. Também tivemos manifestações populares no Brasil e no mundo todo contra essa política.

Para a Relatora da ONU, “os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito”, ao invés de remunerarem lucros de acionistas da Sabesp, empresa mista responsável pela gestão do sistema, e que tem quase 50% de suas ações distribuídas entre bolsas de SP e de Nova Iorque.

Segundo o economista Bruno Peregrina Puga, “os anos recentes têm sido generosos com os acionistas da Sabesp, sempre pagando um payout elevado, ao passo que o investimento não tem acompanhado a mesma intensidade crescente do lucro”.

Além disso, estudo da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que o desmatamento intenso de quase 80% da vegetação nativa da bacia hidrográfica da Cantareira é um dos responsáveis diretos pela crise de abastecimento.

Com pouca vegetação, a floresta não consegue desempenhar o seu papel, de reabastecer os lençóis freáticos e impedir a erosão do solo e o assoreamento de rios, protegendo as nascentes e todo o fluxo hídrico. Mais uma grave omissão do poder público – inclusive deste Congresso Nacional, que produziu grave retrocesso ambiental nesta Legislatura, ao aprovar, em 2012 (com a nossa oposição), o novo Código Florestal, que criou condições mais favoráveis ao desmatamento e assoreamento de rios.

Além da instrumentalização mercantil e financeira, há evidência de grave e ilegal ingerência política eleitoreira sobre a Sabesp, em prejuízo da transparência da gestão pública.

Diante dos áudios em que a diretora-presidente da SABESP, Dilma Pena, declara ter recebido ordens do governo do estado para esconder a grave crise de abastecimento de água em São Paulo, fica claro que o governo do PSDB colocou seus interesses eleitorais acima do interesse público.

Com esse fundamento, o Deputado Carlos Giannazi, líder da bancada do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de SP, protocolou, no dia 24, pedido de cassação do mandato do governador Geraldo Alckmin por crime de responsabilidade, com base na legislação federal e estadual, além de Representação no Ministério Público Estadual, pedindo que o órgão responsabilize criminalmente, e por prevaricação, a presidente da SABESP e o próprio governador.

Por mais que o governo tucano tenha tentado esconder, a falta de água já era sentida há tempos, em especial na periferia, em bairros como Itaquera, Carapicuíba e Campo Limpo, conforme denuncia Guilherme Boulos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

A população de Itu, no interior, foi a primeira a sofrer com o problema, desde setembro do ano passado, enfrentando racionamentos prolongados e imprevisíveis, que afetam da merenda escolar à ida de estudantes ao banheiro nas escolas, da dificuldade de lavar roupas e tomar banho às filas enormes e ininterruptas na bica de água da cidade.

Na raiz da escassez, a falta de transparência e de investimentos do poder público e da empresa privada que é concessionária do serviço de abastecimento de águas na cidade desde 2007.

Como infelizmente tem sido praxe, os governantes têm respondido com violência, e não com políticas públicas adequadas, à revolta popular que ocorre em Itu pelo direito à água.

Várias pessoas foram presas nos protestos, e há casos de ativistas que têm sofrido ameaças e agressões físicas e psicológicas da polícia militar e da guarda municipal de Itu. Foi o caso de Everson Guarnieri Júnior, 20 anos de idade, membro do movimento “Itu Vai Parar”, vítima de golpes de cacetete por parte da PM e que teve seus piercings arrancados com alicate no centro de detenção provisória de Sorocaba, do qual saiu com diversos ferimentos.

Nesse cenário, manifesto todo apoio à representação do Deputado Carlos Giannazi contra a cúpula do governo de SP e da Sabesp, e toda solidariedade ao movimento “Itu vai parar”, que apresenta demandas cobertas de justiça e urgência:

i. O decreto do estado de calamidade pública em Itu;

ii. O rompimento do contrato com a empresa concessionária e o fim da concessão;

iii. O fim da exploração da água para o lucro;

e iv. A participação popular no Comitê de Crise formado pela prefeitura e Estado de São Paulo para a gestão da água em Itu.

Água é direito humano, essencial à vida, não pode ser mercadoria!




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