A RÚSSIA TOMA MEDIDAS RIGOROSAS PARA COMBATER O EXTREMISMO


As pessoas devem entender que instigar conflitos entre pessoas de diferentes origens étnicas e religiosas, a promoção da ideologia nacionalista, violações em massa de ordem pública e exige derrubada forçada do regime existente é tudo ... manifestações diretas de extremismo ", disse a funcionários de segurança máxima . Ele observou que todos devem se lembrar sobre as conseqüências destrutivas de tais ações. O fato é que os envolvidos tem que responder por suas atitudes que socialmente são preconceituosas e extremistas.

Vladimir Putin: A Rússia tem que tomar medidas rigorosas para combater extremismo

No final de junho, Putin assinou um conjunto de leis que visa monitorar os movimentos financeiros que financiam atividades extremistas. Pessoas envolvidas com extremistas podem pegar até seis anos de prisão. Chamadas públicas para o extremismo, ou tentativas de humilhar as pessoas, será punido com até cinco anos de prisão. Isso se aplica a mensagens da Internet, bem como publicações de mídia.

No entanto, a nova lei prevê a imunidade para aqueles que se voltam contra as organizações ou agentes públicos, pois estas atividades são democráticas e ajudam a prevenir crimes." Todas as pessoas têm o direito de sugerir soluções e abordagens para os problemas atuais, eles têm o direito de formar partidos e grupos, para participar nas eleições e lutar pelo poder ", disse Putin. " A coisa mais importante é garantir que o processo de realização das preferências políticas dos cidadãos seja civilizada, estritamente no âmbito da lei ", disse ele.
As novas leis estão em linha com a estratégia anti-extremismo da Rússia, elaborado pelo Ministério do Interior e tornada pública em meados de junho. De acordo com o documento, as autoridades vêem a Internet como o principal canal de divulgação de informações fascistas, racistas e reacionárias perigosas, e quer combater estas ameaças por meio do monitoramento intensivo da web, objetivando manter os valores tradicionais da sociedade, como cidadania, solidariedade e humanidade pautado sempre entre os jovens.
Na estratégia, a lista de polícia monitora movimentos radicais muçulmanos, grupos nacionalistas domésticos, hooligans, imigrantes ilegais e certas ONGs estrangeiras e grupos religiosos como as principais ameaças à segurança.
Ao mesmo tempo, o líder russo tem afirmado repetidamente que a luta contra o extremismo não deve transformar-se em uma campanha contra os dissidentes. Ele levantou a questão novamente na sessão do Conselho de Segurança , dizendo que a Rússia era um país livre e democrático onde os cidadãos poderiam ter suas próprias opiniões e expressá-las, incluindo o direito de estar em oposição às autoridades.

O avanço do neonazismo na Ucrania tem apoio yankee


OS NEONAZISTAS, A UCRÂNIA E A REDE GLOBO


Desde novembro temos assistido a Ucrânia passar por diversas demonstrações contra o governo depois que o presidente Viktor Yanukovich, do Party of the Regions, declinou da proposta de integrar o país ao bloco econômico da União Europeia. 
A escalada da violência dos atos é evidente na revolta que ficou conhecida como Euromaidan.
O que pouco é explorado nos noticiários é o caráter, as características políticas das lideranças do movimento, assistindo a grande mídia a única informação que conseguimos captar é que são manifestantes democratas que anseiam por se aproximar da Europa por compartilhar de valores civis ocidentais. Uma análise mais aproximada nos expõe outros fatos, no entanto.
Observemos a imagem do protesto abaixo: 
Nela podemos constatar duas bandeiras, a do partido de extrema direita Svoboda (Liberdade) em amarelo e azul e a do Exército Insurgente da Ucrânia em preto e vermelho, que para os desatentos facilmente passa por uma bandeira anarquista, uma rápida pesquisa porém nos informa que o Exército Insurgente da Ucrânia também possui valores neonazistas e estas duas organizações aliadas constituem a vanguarda das massas.
O analista político Dmitry Babich explana numa entrevista a Reuters: “estes neonazistas se envolveram e penso que devemos chamar algo pelo seu nome real. Os ultranacionalistas da Ucrânia ocidental são neonazistas.”
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Esta foto de um dos manifestantes tem muito a nos dizer: 
Mais interessante é a análise dos atores políticos, as alianças e movimentações entre os líderes do levante e as lideranças ocidentais. O site de notícias Nihilist nos informa que o partido de oposição UDAR (Ukrainian Democratic Alliance for Reform) liderado pelo ex-boxeador ucraniano Vitaly Kitschko está em coalisão com o Svoboda, e que o primeiro foi fundado há três anos e é financiado pela fundação “Konrad Adenauer Stiftung”, criada pela primeira-ministra alemã Angela Merkel.
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Podemos ver Klitschko (direita) e o líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok, juntos em um ato nesta imagem: 
Essa ligação constitui evidência de financiamento estrangeiro ao golpe, principalmente se considerarmos que o presidente Yanukovich ofereceu ontem ao líder do partido de oposição Arseniy Yatsenyuk o cargo de primeiro ministro e ao próprio Klitschko o cargo de deputado do primeiro ministro encarregado de assuntos humanitários, e hoje ambos declararam que declinam da proposta e que a pauta de assinatura do acordo com a EU e antecipação das eleições continua como exigência.
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Nesta foto podemos ver ambos: 
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Digno de nota também é o encontro do líder do Svoboda, Oleh Tyahnybok, com o senador republicano John McCain noticiado pelo Channel4. Com a atos revolta em crescimento, parece que o senador não poderia deixar de planejar alianças com seus semelhantes. 

Feitas todas essas considerações, o último comentário pertinente é sobre a postura da Rede Globo diante de todas essas conexões são evidentes. Em matéria publicada no G1 na última quinta feira dia 23, o tom de exaltação aos manifestantes é evidente aos mais atentos, todas essas ligações expostas acima são ignoradas e as únicas vozes ouvidas caracterizam o governo como ditadura e o levante como revolução, o texto ainda fecha com uma declaração “inspiradora” de Klitschko: “Se for preciso brigar, brigarei; se for preciso marchar sob as balas, marcharei sob as balas”.
Parece que nosso maior veículo de mídia já escolheu seu lado. 

Quando a “Revolução” muda de rumos 11/02/2014


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Diante de governo corrupto e mafioso, as ruas de Kiev falavam numa delirante “transformação apolítica”. Então, os neonazistas deram um passo adiante…

Por Aleksandr Karpets* | Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel
– Leia também, neste dossiê: Dossiê Ucrânia: os neonazistas a um passo do poder Oportunismo insano do presidente, vacilações da oposição liberal e paralisia da esquerda deram à ultra-direita controle das ruas. EUA e Europa são co-responsáveis. Por Oleg Yasinsky
Cronologia de um desastre que se anuncia
Violência e gangsterismo marcam ação do governo e manifestantes. Agora, todos os possíveis desfechos parecem negativos. Por Igor Storchak
Fora uma reação natural às ações autoritárias do governo, esta revolta insana foi consequência da incapacidade e da impossibilidade de resolver, de forma racional, os problemas catastróficos acumulados na Ucrânia após a desarticulação da União Soviética. Problemas que se agravaram com a chegada ao poder de Yanukovich. Por um lado, a revolta demonstrou a debilidade do seu governo e, por outro, que os líderes e as massas não têm nenhuma compreensão racional do que acontecerá depois, do mesmo modo como não sabem a que realmente aspiram, no caso de um eventual triunfo.

O problema principal está nas contradições que se acumularam no país durante quase um quarto de século: o saque dos bens nacionais por parte dos novos ricos, o aparecimento e o forte aumento da injustiça social, uma enorme desigualdade econômica e política e, como consequência de tudo isso, uma incrível decomposição moral de toda a sociedade, o que provocou a corrupção generalizada em todos os níveis.
Esse problema não tem solução nem em um protesto de rua, nem dentro dos procedimentos legais do Estado, incluindo todo tipo de negociação ou “mesas”, que servirão não mais que como válvulas de escape.

Em primeiro lugar, a solução do problema é impossível porque o atual Estado ucraniano é uma organização política da oligarquia financeira e econômica e da burocracia que representa seus interesses. O objetivo dessa organização é a exploração de outros grupos sociais, ora manipulando-os, ora reprimindo-os, para manter-se no poder. A mudança dos personagens no governo, o cumprimento formal de alguns procedimentos democráticos e inclusive a mudança de várias leis dentro de um Estado desse tipo não significam muito, já que não mudam a essência do modelo.

Em segundo lugar, a mudança fica impossível porque, com a crise econômica global, a situação degradou-se consideravelmente. Um relativo bem-estar e um boom consumista às vésperas da crise, graças ao sistema de crédito, geraram a ilusão da chegada ao “paraíso capitalista”. A crise destruiu essa ilusão, levando o país de volta à sua realidade, submergindo-o na pobreza e no desemprego. Da mesma maneira que no resto da resto de Europa, isso agudizou as contradições econômicas e sociais. A degradação rápida das condições econômicas de uma imensa maioria dos ucranianos foi acompanhada de um igualmente rápido enriquecimento dos clãs oligárquicos e de certas figuras.

Além disso tudo, chegou ao poder o grupo mais reacionário de toda a história da Ucrânia independente, grupo que instalou uma ditadura do capital de origem criminosa, e que se apóia na força da polícia e de delinquentes comuns, à semelhança de alguns regimes latino-americanos do século XX. Se o “fundador” do sistema oligárquico criminoso, o primeiro presidente da Ucrânia independente, Leonid Kuchma, compreendia e respeitava a existência de certos limites que não deviam ser ultrapassados — o que demonstrou os acontecimentos não violentos da “revolução laranja” de 2004 —, os representantes do clã de Yanukovich simplesmente não veem esses limites. Kuchma pôde aposentar-se politicamente, e agora é conhecido como mecenas, vendendo a imagem de um “avozinho generoso” que ajuda as crianças. As figuras do atual governo não podem deixar o poder, porque entendem que, se o abandonam, serão alcançados pelo castigo por aquilo que fizeram.

A construção de um regime fascistóide começou imediatamente depois da chegada de Yanukovich ao poder. Essas são algumas das etapas: a mal chamada reforma judicial, que permitiu ao governo tomar o controle total da justiça do país; um golpe constitucional no outono de 2010, que permitiu ao governo, e a Yanukovich pessoalmente, usurpar o poder, arregimentando prerrogativas excepcionais para as quais não fora eleito; a imposição de um novo Código Fiscal, contendo um ataque contra a pequena e média empresa, acompanhada da repressão policial dos seus tímidos protestos; a imposição de um Código de Trabalho abusivo e de um Código de Moradia expropriador, com o objetivo de suprimir ao máximo os direitos sociais e trabalhistas dos cidadãos; e, logo em seguida, uma série de expropriações arbitrárias de dinheiro e de imóveis em favor do capital oligárquico, que, como dissemos, é a base econômica e social do governo. A isso tudo acompanhou-se um permanente enriquecimento dos clãs oligárquicos, incluindo o mais próximo ao governo, chamado “A Família”, junto com a concentração dos bens públicos nas mãos de um pequeno grupo de novos ricos.

Antes de 19 de janeiro deste ano, os protestos se limitavam a declarações exaltadas, promessas, ameaças, festa e cantos na Praça da Independência de Kiev, que hoje é midiaticamente conhecida como Euro-Maidan (“maidan” é praça em ucraniano). Os “líderes” estavam preocupados com seus futuros ganhos eleitorais. Dava a impressão de que eles tinham medo de tomar decisões e depois ter que arcar com elas. A massa repetia o refrão delirante de uma “revolução apolítica”. A assembleia popular de 19 de janeiro, a poucas horas dos enfrentamentos, acabou com um escândalo: diante da verborreia dos “líderes”, o povo vaiou e exigiu a apresentação de um plano concreto de ações e a nomeação de um dirigente capaz de encabeçar o processo e tomar as responsabilidades.

Falou-se muito de formas não-violentas de protesto, das quais a mais forte deveria ser a greve geral. Ela foi prometida em reiteradas oportunidades, mas nunca se concretizou, por conta da mesma incapacidade organizativa e ideológica dos “líderes” “pró-europeus”.

Um dos traços mais repugnantes do atual governo é o fato que as forças da ordem pública começaram a incorporar maciçamente delinquentes e o lumpesinato na luta contra os ativistas. Os delinquentes, contratados pelo governo, realizaram vários ataques contra pessoas, bens públicos e privados, para que, em seguida, os manifestantes fossem acusados de tais fatos. A delinquência urbana aumentou enormemente. Os próprios manifestantes tiveram que organizar “guardas populares” para manter a ordem no centro da cidade.
A apoteose da reação ao governo seguiu-se, sem dúvida, à aprovação, em 16 de janeiro, da lei que proibia todo tipo de protesto cidadão. Esse foi um ato absurdo e ilegal, aprovado em poucos minutos pela unanimidade dos obedientes deputados. A mensagem parecia dizer o seguinte: somos uma elite, podemos decidir e fazer o que quisermos e o seu dever é obedecer ou ir presos. Essa atitude demonstra uma total incapacidade do poder ucraniano em ver a realidade, superestimando sua capacidade de controlar o país.

Nesses dias, muitos falam de uma aplicação na Ucrânia do sistema russo-bielo-russo, onde qualquer protesto se reprime já no seu surgimento. Mas isso não é possível. Na Rússia, o governo conta com uma potente base econômica, principalmente pela exportação de matéria-prima. A taxa de aprovação de Putin, depois de quase 15 anos de governos consecutivos com estabilidade, supera os 50%. 
Na Bielo-Rússia, apesar dos problemas, as empresas industriais e agrícolas funcionam, há praticamente pleno emprego, a saúde e a educação continuam gratuitas e estatais, os programas sociais, culturais e esportivos funcionam bastante bem, e Lukashenko tem o apoio da grande maioria da população. O atual governo da Ucrânia não tem forças nem meios comparáveis aos russos ou bielo-russos. Além disso, Yanukovich e seu grupo não têm o mesmo nível de aprovação cidadã que gozam Putin e Lukashenko.

Durante muito tempo, a Ucrânia, apesar da complexa situação econômica e política que se seguiu à desarticulação da URSS, se manteve em paz cidadã, à diferença de quase todos os vizinhos da região. Yanukovich e seu governo já entraram para a história como os que conseguiram quebrar essa tradição, levando o país à beira de uma guerra civil.

Causa surpresa e admiração o fato de que, em uma sociedade que há pouco parecia definitivamente sumida na corrupção, na indiferença e no individualismo, apareçam hoje tantas pessoas dispostas a lutar por uma ideia, chegando às últimas consequências.

Os protagonistas dos combates de rua são nacionalistas radicais, mas justamente eles parecem refletir agora os ânimos das massas indignadas. Durante os choques de 1º de dezembro de 2013, chamavam os ultranacionalistas violentos de “provocadores”. Agora, ninguém mais se atreve a criticá-los. O motivo dessa mudança é evidente: o poder cruzou um limite, e isso radicalizou os cidadãos. Um claro exemplo são as imagens de 19 de janeiro, durante os primeiros combates no centro: um senhor de idade, quase um velhinho, de aspecto claramente “não radical”, parecido com um operário, levantando um ferro de construção gritava: “—Basta! Vão à merda! Basta de aguentar essa corja! Agora é guerra!”
– * Aleksandr Karpets é jornalista ucraniano

Dossiê Ucrânia: os neonazistas a um passo do poder 11/02/2014

Oportunismo insano do presidente, vacilações da oposição liberal e paralisia da esquerda deram à ultra-direita controle das ruas. EUA e Europa são co-responsáveis

Por Oleg Yasinsky, na Agência Rebelión | Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel

Violência e gangsterismo marcam ação do governo e manifestantes. Agora, todos os possíveis desfechos parecem negativos. Por Igor Storchak

Uma vez, já faz tempo, trabalhando com turismo, tínhamos que organizar um voo para uma ilha do Pacífico. Os pilotos explicaram que para obter permissão de decolagem, era preciso primeiro ter a confirmação da aterrizagem bem sucedida do avião que chegou antes, já que no caso de um acidente na pista, um segundo avião não teria onde aterrizar, e uma vez passado o ponto de não-retorno, definido pela distância e pela reserva de combustível, o avião a caminho simplesmente ficaria sem opções. Lembro-me o quanto me impressionou esse conceito de “ponto de não-retorno”, que escutei então pela primeira vez. Também me perguntei se o termo seria aplicável à historia das sociedades. Depois dos últimos acontecimentos no meu país, a Ucrânia, lembrei-me disso e voltei às mesmas perguntas.

Depois da trágica e fulminante queda da União Soviética, a Ucrânia, sua segunda república depois da Rússia em população e nível de desenvolvimento, entrou no turbulento período de sua história independente. Apesar de uma infinidade de problemas econômicos e políticos, à diferença dos seus vizinhos, a Ucrânia permaneceu neste quarto de século sob uma invejável paz social, e meus compatriotas reiteraram-me várias vezes o mito narcisista e sedutor do “caráter nacional pacífico” dos ucranianos, tão diferente do arco que vai dos bósnios aos chechenos, de gente capaz de tanta barbárie.

A partir de meados de janeiro deste ano, ninguém mais vai acreditar nesse conto. Derramou-se sangue. Desde a libertação de Kiev da ocupação nazista em 1944, a capital ucraniana não via cenas desse tipo. Os principais meios noticiosos do mundo mostraram Kiev em chamas, milhares de manifestantes, policiais, armas, bandeiras e outras figuras midiáticas, como sempre, praticamente sem qualquer contexto, entorpecendo o espectador com a sua usual anedota da luta do bem contra o mal ou da democracia contra o totalitarismo.

Sem dúvida estamos diante de um fenômeno que ainda não conseguimos entender por completo.
No território ucraniano se enfrentam grandes predadores: o capital ocidental e o capital russo, diante dos quais os oligarcas ucranianos espreitam como chacais, à espera do momento certo para apostar no mais forte. Seguramente, no futuro vão se escrever vários livros sobre o trabalho dos serviços secretos estrangeiros na Ucrânia deste princípio de século. Desse tema já falam, e falarão ainda muito, mudando o foco de acordo com as colorações ideológicas.

Abordaremos, no entanto, outro tema, de momento menos midiático: as causas mais profundas do descontentamento popular na Ucrânia. Alguma coisa aconteceu nesse país, ainda ontem tão pacífico e tolerante, e que agora busca desesperadamente mudanças urgentes, sem distinguir os meios e as forças que hoje prometem assegurá-las.

Os protestos, cada vez mais violentos, contra um governo de direita, cada vez mais violento, são encabeçadas por grupos de ultra-direita também cada vez mais violentos. Lamentavelmente, essa ultra-direita tem agora cada vez mais aceitação social. Isso acontece porque a ultra-direita age contra um governo corrupto, que praticamente perdeu sua legitimidade frente à maioria dos ucranianos, enquanto uma outra direita, agora uma terceira, a da oposição democrática, a dos contos europeus e prantos por Yulia Timoshenkoi, não teve mérito e capacidade para encabeçar os protestos populares. Assim, melhorando os cálculos, essa guerra interna ucraniana já não seria sequer entre duas, senão entre três direitas.
Um jornalista ucraniano certa feita comparou o papel da ultra-direita nacionalista em sua luta contra o governo com o papel dos fundamentalistas muçulmanos na “Primavera Árabe”. Uma vez considerada a enorme diferença cultural e histórica entre os dois casos, a comparação parece interessante e digna de um estudo mais aprofundado.

Criticando ou defendendo o partido fascista ucraniano “Svoboda”, a mídia local usualmente ignora o fato de que, há não mais que quatro anos, esse partido não passava de um grupelho de fanáticos, cujo apoio eleitoral se expressou em tão apenas 0,12% dos votos. Ao ganhar a eleição presidencial, o atual mandatário do país, Vítor Yanukovich, pensando na sua futura reeleição, resolveu dar luz verde ao Svoboda e à sua propaganda porque, conforme seu cálculo, só poderia ser reeleito se seu futuro rival fosse um sinistro candidato fascista. Nas eleições parlamentares de 2012, o Svoboda obteve 10,44% dos votos e até o momento duplicou ou até mesmo triplicou o número de partidários.

O nível de aprovação do presidente Yanukovich, por sua vez, está em torno dos 12,6%. Se as eleições fossem hoje, com segurança Yanukovich perderia para um candidato neonazista. Entre outras coisas, essa seria uma prova a mais da destruição da memória histórica do povo ucraniano. Lembremos que na Segunda Guerra Mundial, que para nosso povo foi a Grande Guerra Pátria, morreu um de cada seis habitantes do país. Minhas congratulações às novas mídias: livres, divertidas, democráticas e anticomunistas. Uma frase típica, que ressoa nas ruas de Kiev, vaticina: “Não são fascistas, são apenas nacionalistas”. Outras parecem mais reflexivas: “Melhor os fascistas que os bandidos”. Uma das características dessa pós-modernidade neoliberal é o rápido retrocesso mental pelo qual se confunde a pátria com as bandeirinhas.
Para imaginar o pano de fundo social do drama ucraniano, tomemos em conta que os preços ao consumidor no país são similares aos da Europa Central e que a aposentadoria mínima é equivalente a 100 dólares mensais, com a média chegando a 170 dólares, que é paga com muito atraso. As aposentadorias que se pagam sem atraso são as dos ex-deputados, que, por sua vez, podem alcançar os 15.300 dólares mensais. A família do presidente Yanukovich, tal como a de Somoza na Nicarágua, controla grande parte da economia do país. Seu filho Aleksandr é a quinta pessoa mais rica da Ucrânia. Ele começou seus negócios há poucos anos, arrendando ao governo os helicópteros recém privatizados.

Na Ucrânia, fala-se bastante do seu atual presidente, que quando jovem foi um assaltante e esteve preso por roubos acompanhados de violência. Na realidade o jovem Vítor Yanukovich, criado pela avó, vivia nos subúrbios de um povoado mineiro, e aos 17 anos foi condenado a um ano e meio de prisão por pertencer a uma gangue que roubava gorros de pele dos transeuntes. Comparadas às fábricas, terras, palácios e somas milionárias do Estado roubados por tantos políticos ucranianos, as ternas lembranças de adolescência de seu presidente são uma piada que não mereceria maior atenção, ainda que a mídia assegure o contrário.

A propósito do curioso “sonho europeu” dos ucranianos, há seis meses estive na Ucrânia Ocidental, o berço do atual nacionalismo, e visitei cidadezinhas fantasmas: todos os seus habitantes se foram, para trabalhar na Europa Ocidental ou na Rússia. Pedreiros, motoristas, empregadas domésticas e prostitutas ucranianas continuam invadindo os mercados de trabalho formal e informal da Europa e do mundo. Enquanto muitos latino-americanos voltam para seus países de origem, saindo da Europa, os ucranianos não param de chegar. Em comparação com a realidade do país, a Europa para eles, mesmo em crise, continua sendo quase um paraíso. “Não tem comparação!” — dizem. Uma mulher de um povoado perto de Lvov, que tem seus quatro filhos e dois netos espalhados entre a Polônia e a Itália, me explicava: se pudéssemos ganhar aqui, trabalhando em qualquer coisa que fosse, pelo menos (o equivalente a) uns 150 dólares por mês, ninguém iria embora. Para sair do país rumo ao Ocidente, os ucranianos necessitam vistos. Os vistos para o paraíso europeu não são dados a todos. Para muitos ucranianos, essa é a verdadeira razão do misterioso desejo de que o país seja membro da União Europeia.

E o que estaria acontecendo com a esquerda ucraniana? Quase nada, porque quase não existe. O Partido Comunista da Ucrânia, que até a semana passada foi aliado do governo de direita de Yanukovich, agora, seguindo seu instinto oportunista, “se indignou com a repressão” e “rompeu com o regime”. Muitas vezes, acho que a última esquerda verdadeira do país foi, na verdade, aniquilada nos campos de concentração de Stálin. Os grupelhos da esquerda ucraniana, mais um punhado de indivíduos que organizações, estão completamente ultrapassados pela magnitude dos acontecimentos atuais. Frente aos fatos, encontram-se divididos: uns optam por “estar com o povo” e “primeiro acabar com o regime e depois ver o que se pode fazer”; outros dizem que “esta guerra não é nossa” e que a derrota do atual governo conduzirá o país a uma ditadura muito pior. Ambas as posturas são honestas e reconheço que me sinto esquizofrenicamente dividido, dando razão às duas e olhando comodamente de longe.
À microscópica esquerda ucraniana, que critica o povo por seguir as direitas, eu gostaria de recomendar que relesse o poema “Solução”, de um grande alemão e grande comunista chamado Bertolt Brecht: “Depois da revolta de 17 de junho / o secretário da União de Escritores fez distribuir panfletos na avenida Stálin / declarando que o povo havia rompido com a confiança do governo / e que só poderia recuperá-la redobrando o trabalho. / Não seria mais simples para o governo, nesse caso, / dissolver o povo e escolher outro?”

Muitos na Ucrânia falam de uma “ditadura fascista” de Yanukovich e quando tentam explicar a situação a um latino-americano, por exemplo, definem o presidente como um “Pinochet ucraniano”. Sem que eu sinta qualquer coisa de positivo com relação a essa figura, não hesito em afirmar que uma verdadeira ditadura é algo bem diferente, e significa níveis de repressão e bestialidade absolutamente diferentes, que tomara que os cidadãos da Ucrânia jamais cheguem a conhecer.
Meu amigo Andrei Manchuk, uma pessoa muito honesta, e além disso um dos poucos jornalistas ucranianos de esquerda, afirma com toda segurança que Vítor Yanukovich, sem dúvida, é um ladrão e delinquente, mas idiota não é — e jamais teria ordenado tortura e assassinato de opositores, porque realmente não lhe convém. Andrei disse que Yanukovich é um adversário débil e indeciso, e que seu governo não caiu há um mês apenas porque a “oposição” só busca o poder, mas não quer arcar com responsabilidade alguma em um país saqueado e em colapso. Os únicos que não têm medo são os neonazistas.

Vários analistas ucranianos afirmam que, pela mesma razão da debilidade do presidente, aliada a um repúdio cidadão generalizado a ele, Yanukovich deixou de representar uma solução e se converteu em um problema. Tanto Putin como vários oligarcas ucranianos (e outros atores) já teriam optado por desfazer-se dele e substituí-lo por alguém mais hábil e carismático.
Exponho a seguir um resumo de dois olhares ucranianos, que refletem bastante bem duas posturas internas, predominantes entre quem não se identifica com nenhuma das três ou mais direitas nacionais. Não se trata de una tradução literal, mas de uma síntese.

Sem estar de acordo em tudo com essas opiniões, sinto que refletem bastante bem o sentimento geral das pessoas que não compartilham as paixões nacionalistas das novas “vanguardas” ucranianas.
Enquanto isso, em Kiev continuam circulando os rumores de todo tipo. Falam de centenas de sequestrados por órgãos de segurança, contam que o governo soltou todos os delinquentes perigosos. Das províncias chegam a Kiev, fora de horário, estranhos trens com jovens musculosos, contratados a 50 dólares por dia, para “ajudar a manter a ordem”. Desconhecidos matam um policial à paisana durante a noite. O ódio cresce e se expande. Grupos de manifestantes ocupam edifícios do governo regional e nacional. O movimento rapidamente se expande em direção ao sul e ao leste do país, territórios tradicionalmente pró-russos e politicamente mais passivos. Ao mesmo tempo, um ex-ministro da Defesa chama os cidadãos a se defender com as armas diante da violência policial. 
Os manifestantes anunciam a criação da “Guarda Civil”. Circulam listas oficiais com centenas de presos políticos. Uma recente investigação jornalística desmente como sendo uma falsificação o vídeo dos policiais que desnudam um manifestante; no entanto não sabemos se esse desmentido é correto ou não. Não obstante, outros mortos e torturados com certeza são reais. A maioria dos autores desses crimes são anônimos e temos muitas razões para desconfiar das “versões oficiais” de ambos os lados. Temos também, no entanto, todos os fundamentos para acreditar que os grupos econômicos que estão por trás da atual crise podem estar incentivando a divisão do país e o choque entre seus cidadãos, para, em seguida, substituir a besta Yanukovich por algum outro, mais sutil e carismático, mas talvez muito mais parecido a um ditador fascista que o atual presidente.

Concluindo, vejo entre os sinais mais dolorosos do drama ucraniano a expansão de uma epidemia galopante de cegueira e surdez completas, onde só se abre espaço à intolerância, matéria-prima para uma guerra civil.

O nome do meu país, Ucrânia, provem de duas palavras do eslavo antigo: “u kraia”, que significam “na beira”; coisa que refletia a localização geográfica de suas terras, no limite sudoeste dos territórios eslavos. Agora, o nome Ucrânia parece voltar a refletir sua localização, na historia dos tempos que correm.
– Ex-primeira ministra, proeminente figura da oligarquia do gás e petróleo e antiga líder política da chamada “Revolução Laranja”, de 2004; opositora ao atual presidente; hoje presa por conta de um polêmico processo judicial. (Nota do tradutor).

UCRÂNIA: LAÇOS INDISCRETOS ENTRE EUA E NEONAZISTAS

25/02/2014 - 15h39
por Max Blumenthal | Alternet (*)
em Nova York

Obcecada em vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus

Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, as demonstrações de extremistas fascista e neo-nazista assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde de o inicio dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a policia ucraniana e exigir a expulsão do "corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich" (segundo os direitistas), as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza ética de seu país.
Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estabeleceram “zonas autônomas” em torno de Kiev.
Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, disse um integrante do grupo.
“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”
Agência Efe

Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalistas Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “mafia judaico-moscovita”. Após da condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas, no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn cita com frequência Joseph Hoebbels.
Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazista, como o Right Sector.
O Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda, o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a ums constelação de partidos neofascistas internacionais através da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.
As politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com o líder do Svoboda. Ansioso para se defender de acusações de anti-semistismo, o dirigente hospedou o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir que aos israelenses respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também.”
Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu deseja de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.
“O movimento da praça Maiden, incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.
Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimônia com tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.
Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor hipótese. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a  limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor  mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele travara uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.
As conexões da Direita
Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para Euopa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA — onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.
 Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador em Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.
“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”
Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades no início, no final dos anos 1970″, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”
Ainda hoje uma força de lobby ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupo homenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”
De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo do OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamção de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.
Após a derrubada de Yanukovich, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marcharam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.
(*) Publicado originalmente no Outras Palavras. Tradução de Cauê Seignemartin Ameni

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