CIMEIRA DOS POVOS - CAPITALISMO É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELO RISCO FATAL QUE RONDA O PLANETA

Cimeira dos povos avança com forte tom crítico

  
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Lima, 9 dez (Prensa Latina) A Cimeira dos Povos sobre a mudança climática ingressa hoje em sua segunda jornada com uma visão marcadamente crítica do capitalismo como principal responsável pelo risco fatal que ronda o planeta.

O evento que reúne organizações sociais, principalmente ambientalistas, sindicais, camponesas e indígenas, é uma atividade paralela à Conferência das partes das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP20) iniciada aqui em primeiro de dezembro.

A Cimeira dos Povos foi oficialmente inaugurada ontem à noite em um ato que teve como convidados os prefeitos de Lima, Susana Villarán, e Bogotá, Gustavo Petro, que chamaram à luta em defesa da sobrevivência frente à mudança climática, gerado por interesses privados, segundo Villarán.

O ato desenvolveu-se em um parque de Lima em torno do qual se situam os locais de diálogo e debate sobre os alcances sociais e outros aspectos da mudança climática que não trata a cimeira oficial, dedicada a negociar um esboço de acordo mundial de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Previamente, no entanto, houve uma espécie de inauguração indígena da cimeira social, consistente em um pagamento ou tributo à Pachamama (Mãe Terra, em quechua e aymara), cuja defesa propõem os participantes, mediante a mudança do sistema e não apenas do clima.

No tributo à terra, o dirigente camponês peruano Antolín Huáscar reivindicou respeito aos povos indígenas e camponeses e criticou a COP20 por ser fechada e não permitir o acesso dos representantes sociais.

"Chamaram-nos anti-cimeira, não somos anti-cimeira, somos uma cimeira alternativa, a cimeira dos povos", assinalou o dirigente, enquanto um grupo de xamãs dos países andinos realizavam a homenagem à Pachamama.

"Pachamama, aqui estamos seus filhos para proteger você. Dê-nos sua força para seguir lutando e criar políticas que preservem você", disse um deles.

Huáscar exortou a políticos e especialistas, bem como representantes de empresas multinacionais que participam na COP20, a não falar somente de "economia verde", mas dos direitos da Mãe Terra.

Reivindicou que os países capitalistas industrializados que têm causado o problema do aquecimento global saibam assumir e cumprir seus compromissos.

Lourdes Huanca, presidenta da Federação de Mulheres Camponesas do Peru afirmou que os povos indígenas são os mais prejudicados pela mudança climática e concordou com Huáscar na necessidade de proteger a Mãe Terra e a soberania e a segurança alimentar.

Também criticaram o que consideram esbanjamento na COP20, isto é, os 90 milhões de dólares que o governo gastou na organização do evento e exigiram que se informe em que se gastou semelhante soma. Junto ao desenvolvimento dos foros sobre "Território, Mudança Climática e Autodeterminação dos Povos Indígenas" e outros temas, se realizará uma marcha pelo centro de Lima, para reclamar justiça e respeito pela Terra.

A agenda da Cimeira dos Povos inclui a demanda de títulos de propriedade comunal aos povos originários sobre 20 milhões de hectares na América e 210 milhões de hectares no mundo.

Também a crise de civilização, mudança social e modelos alternativos de vida social; o aquecimento global e a mudança climática e a soberania e transição energética.
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