RUSSIA LUTOU CONTRA O NAZISMO NA ALEMANHA E LUTA HOJE CONTRA O NAZISMO UCRANIANO

Mensagem de Putin à Assembleia
Rússia não será outra Iugoslávia
Vladimir Putin iniciou a sua mensagem anual à Assembleia Federal russa, no dia 4 de novembro, com a crise na Ucrânia, e deixou uma advertência: a Rússia, tal como combateu Hitler, fará frente aos que querem a sua desintegração.
«Apesar da nossa abertura sem precedentes [ao Ocidente] e disponibilidade para cooperar nas questões mais difíceis, e mesmo tendo aceite como amigos os nossos inimigos do passado não duvidamos de que teriam tido o maior prazer em colocar-nos num cenário ijugoslavo de desintegração – o que não deixámos – do mesmo modo que também não o permitimos a Hitler. Todos se devem lembrar de como estas coisas terminam». As palavras são do presidente russso Vladimir Putin, na sua mensagem anual à Assembleia Federal russa, em que analisou a crise na Ucrânia, definiu as principais orientações da política externa e interna do país, e anunciou as futuras transformações económicas para fazer face às sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia.

Para Putin, as tentativas dos países ocidentais de justificarem os acontecimentos na Ucrânia com a defesa dos direitos humanos é «cinismo puro», já que o Ocidente apoiou de fato a tomada do poder pelas armas, a violência e os assassinatos, de que os acontecimentos de Odessa – onde pessoas foram queimadas vivas – são testemunho. O presidente russo lembrou ainda que os EUA e a UE apoiaram as tentativas que se seguiram para reprimir, com recurso às forças armadas, as populações do Sudeste que não aceitaram esses abusos, camuflando a sua ação com uma alegada luta pela democracia.
Depois de sublinhar as diferenças entre o que se passou em Kiev e o processo «absolutamente legal» da Crimeia – foi realizado um referendo a que se seguiu a decisão do parlamento legítimo eleito em 2010 –, Putin acusou o Ocidente de ter encetado «há dezenas de anos» a sua política de «contenção» da Rússia. «Mesmo que não tivesse havido um agravamento da situação na Ucrânia e os acontecimentos da Crimeia, os parceiros estrangeiros teriam inventado outros pretextos para isolar Moscou», afirmou. «A política de contenção não foi inventada ontem. Ela já é praticada, relativamente ao nosso país, há muitos anos, há décadas, senão mesmo há séculos. Cada vez que alguém considera que a Rússia se tornou demasiado forte, independente, logo são iniciados esses mecanismos. Contudo, é inútil dialogar com a Rússia a partir de uma posição de força. Mesmo quando ela enfrenta dificuldades internas».
Abertura ao diálogo

Na sua intervenção, Putin sublinhou a necessidade de «tratar com respeito os interesses legítimos de todos os participantes do diálogo internacional», considerando que «não serão os canhões, os mísseis ou os aviões de combate, mas sim precisamente as normas do direito internacional a defender com segurança o mundo contra os conflitos sangrentos». Por isso, advoga, «não será necessário intimidar seja quem for com o pretenso isolamento, iludindo-se a si próprios, ou com sanções – as quais são, com certeza, prejudiciais, mas são prejudiciais para todos, inclusive para aqueles que as decretam». Por seu lado, disse ainda, Moscou «nunca irá escolher o caminho do auto-isolamento, da xenofobia, do nazismo, da desconfiança e da procura de inimigos. O seu objetivo é ter cada vez mais parceiros iguais, tanto no Ocidente, como no Oriente».
Considerando que o sistema global de defesa antimísseis que os EUA estão a criar ameaça a segurança não apenas da Rússia mas de todo o mundo, violando o equilíbrio de forças estratégico, Putin fez notar que isso é «mau para os próprios EUA porque cria uma perigosa ilusão de invulnerabilidade e aumenta a vontade de tomar decisões unilaterais e imponderadas».
«Nós não tencionamos envolver-nos numa dispendiosa corrida aos armamentos. Mas iremos manter de forma segura e garantida a capacidade de defesa do nosso país nas novas condições. Não há qualquer dúvida que isso será feito. A Rússia tem tanto capacidades, como soluções criativas. Ninguém conseguirá obter a supremacia militar sobre a Rússia. O nosso exército é moderno e capaz. Para defendermos a nossa liberdade nós temos força, vontade e coragem suficientes».
Referindo-se à situação económica da Rússia, Putin admitiu abertamente que é complexa e exige medidas especiais. Assim, propôs, entre outros aspectos, o congelamento por quatro anos dos impostos em vigor e a realização a curto prazo das decisões já aprovadas para aliviar a carga fiscal, bem como a aprovação de medidas duras contra os especuladores financeiros que jogam com o câmbio do rublo.

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