MILHARES PROTESTAM EM WASHINGTON CONTRA A ESPIONAGEM GLOBAL

Espionagem dos EUA desconhece aliados, leis ou fronteiras
Escândalo global
Milhares de pessoas protestaram em Washington contra o programa de espionagem dos EUA, iniciativa que ocorreu no final de uma semana em que foram revelados novos dados sobre a escandalosa vigilância global.
A manifestação promovida pela maior plataforma de organizações da história recente norte-americana, ocorreu, sábado, nos arredores do Capitólio. O ex-agente da CIA e ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden, enviou uma mensagem à iniciativa realizada sob o lema «Parem de nos vigiar», a qual contou entre os seus dinamizadores com antigos oficiais dos serviços secretos, ex-membros do Congresso e figuras públicas como os atores John Cusack, Mark Ruffalo e Maggie Gyllenhaal, o realizador Oliver Stone, e o criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee.
Os participantes entregaram uma petição com quase 600 mil assinaturas onde exigem que o Congresso tome medidas para interromper o programa de espionagem em massa, e para que revele e apure todas as responsabilidades.

O protesto ocorreu no dia em que se assinalaram 12 anos sobre a aprovação do «Ato patriótico», que a pretexto dos atentados de 11 de Setembro e do combate ao terrorismo autorizou a expansão da recolha de informações, e no final de uma semana em que vários jornais europeus e norte-americanos, como o Le Monde, The Guardian, The Washington Post, El Mundo, L'Espresso, Bild, ou Der Spiegel, entre outros, noticiaram que a NSA espiou pelo menos 35 líderes mundiais e empresas de países aliados, inimigos ou rivais, bem como milhões de cidadãos franceses, espanhóis ou italianos.
Com base em informações fornecidas por Snowden ficou também a saber-se a extensão e a localização da rede de agentes e estruturas que a NSA operava em 2010, incluindo em 19 das principais capitais europeias. O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, defende que os serviços secretos de Washington trabalham «ombro com ombro» com os seus homólogos aliados e com as multinacionais que dominam a internet e as comunicações fixas e móveis globais. 
Merkel em linha 


Uma das equipes colocada em Berlim espiava a chanceler Angela Merkel, cujo celular estaria na lista dos serviços secretos dos EUA desde 2002, três anos antes da democrata-cristã liderar o governo alemão, mas na altura em que o então chanceler germânico, Gerhard Schroeder, se recusou a enviar tropas para o Iraque a pedido do então presidente dos EUA, George W. Bush.
Merkel, tal como o presidente francês François Hollande, teriam pedido explicações diretamente a Barack Obama. A NSA veio entretanto ilibar o presidente norte-americano, garantindo que este não tinha conhecimento das escutas à chanceler, mas o jornal Bild assegura que Obama foi informado em 2010.

Os EUA tem a serviço um exército de 90 mil espiões ciberespaciais, aos quais acrescem pelo menos 100 mil agentes de inteligência. Em 2012, o orçamento das agências secretas cresceu mais de 52 milhões de dólares. Num artigo publicado a semana passada no USA Today, a assessora de Obama para o combate ao terrorismo, Lisa Monaco, reiterou que os EUA vão continuar a recolher informações atendendo ao «equilíbrio entre as necessidades de segurança e as preocupações de privacidade».
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