"PODEMOS" REÚNE MULTIDÃO EM MADRI CONTRA POLÍTICA DE AUSTERIDADE DA TUCANAGEM ESPANHOLA

Um protesto contra as medidas de austeridade na Europa levou multidão de espanhóis às ruas neste sábado (31).
A  "Marcha da Mudança" reuniu mais de 100 mil simpatizantes do partido Podemos no Centro de Madri.

Foi a maior demonstração de apoio ao partido de esquerda Podemos, cuja popularidade e políticas têm levantado comparações com o partido Syriza, que acaba de vencer as eleições na Grécia.
No ato de encerramento da mobilização, o secretário-geral do partido, Pablo Iglesias, destacou que o momento é de mudança e voltou a citar a Grécia como exemplo.
— O vento da mudança começa a soprar na Europa — disse o líder do “Podemos”, em tom de comício político para a multidão reunida na emblemática Porta do Sol’.
"Muitos querem vincular o destino do Podemos ao destino do governo grego: apoiamos nossos irmãos, mas ninguém fez seus deveres por eles e ninguém fará os deveres dos espanhóis. Os cidadãos espanhóis devem agora ser protagonistas de sua história", completou o carismático professor de Ciências Políticas, de 36 anos. O partido Podemos, criado há apenas 12 meses, lidera as pesquisas em um ano que terá várias eleições. 
"Isto é histórico, tenho que viver isto", disse, emocionada, Blanca Salazar, auxiliar de geriatria de 53 anos, desempregada há três anos, que viajou de carro de Bilbao, norte do país, com dois sobrinhos e o marido, que recebe um salário de mil euros por mês em uma gráfica.
A crise é forte na Espanha. Após sete anos de crise, a Espanha teve em 2014 uma recuperação econômica, com uma alta de 1,4% do PIB, mas com um custo elevado: cortes radicais nos gastos públicos – especialmente em saúde, educação e ajudas sociais –, reformas para reduzir os custos trabalhistas e a segunda maior taxa de pobreza infantil da União Europeia, atrás apenas da Romênia.
Com taxa de desemprego de quase 24%, o país tem centenas de milhares de famílias que perderam suas casas, sem condições de pagar as dívidas imobiliárias, ao mesmo tempo que os bancos espanhóis receberam um resgate europeu de 41 bilhões de euros.
Ao mesmo tempo, o país observou o aumento dos escândalos de corrupção, que envolvem políticos de esquerda e direita, executivos de bancos, sindicalistas, famosos e até mesmo uma filha do rei Juan Carlos, que em junho do ano passado abdicou em favor do filho Felipe VI, em um momento de reduzida popularidade. Para muitos manifestantes, os dois grandes partidos do país, o Partido Popular, do chefe de Governo Mariano Rajoy (PP, direita), e o Partido Socialista (PSOE, principal força da oposição), integram a mesma classe política, "a casta" como afirma Iglesias.
A grande manifestação aconteceu menos de uma semana depois da vitória na Grécia do partido de esquerda Syriza, cujos dirigentes fizeram campanha regularmente ao lado de integrantes do Podemos. Surgidos em dois países europeus extremamente afetados pela crise, os dois partidos rejeitam as regras de austeridade da troika formada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia.
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