ONU APONTA ISRAEL COMO RESPONSAVEL PELA FOME NA PALESTINA

ONU alerta para situação na Palestina
Israel ignora direitos e impede a paz

A insegurança alimentar na Cisjordânia está aumentando.
«Preços elevados da alimentação e salários baixos significam que 1,6 milhões de palestinianos não sabem de onde virá a próxima refeição», advertiu a diretora executiva do Programa Alimentar Mundial, Ertharin Cousin, em visita ao território, realizada sexta-feira, 21.
De acordo as Nações Unidas, no ano passado 34 por cento dos conjuntos familiares nos territórios palestinianos não tinham segurança alimentar. Em 2011, a cifra rondava os 27 por cento.

O alerta foi feito um dia depois de o Comité do Direitos Humanos da ONU ter acusado a polícia e o exército israelitas de abusarem de crianças palestinianas nos territórios ocupados, sublinhando a sua «profunda preocupação em relação a informações [incluindo testemunhos de militares de Israel] que dão conta do uso de tortura e maus tratos», tais como detenções noturnas e encarceramentos em locais desconhecidos dos pais, ameaças e privações, violência física, sexual e verbal, práticas recorrentes cometidas «no momento da prisão, durante o transporte e os interrogatórios para obter confissões».
Na última década, o exército israelita prendeu e interrogou cerca de sete mil menores entre os 12 e os 17 anos, afirmam as Nações Unidas.
Já a meio de Junho, o relator especial para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos Ocupados, Richard Falk, exigiu a Israel o fim ao bloqueio imposto desde 2007 contra a Faixa de Gaza, sublinhando que «a população civil já sofreu e superou o impensável», encontrando-se, «na sua esmagadora maioria, condenada à pobreza perpétua».

Antes, Falk divulgou trechos do seu relatório anual, no qual frisa que «Israel e os seus aliados distraem, distorcem e difamam para que as violações continuem», e qualificou de vergonhosa a existência de «organizações lobistas com o único objetivo de desviar a atenção do mundo do inaceitável registo de Israel em [matéria de] direitos humanos».
De acordo com o texto, Falk considera ainda que as «campanhas de difamação irresponsáveis e desonestas para desacreditar aqueles que documentam estas realidades não alteram os fatos no terreno, 46 anos depois de Israel ter lançado a guerra que começou com a ocupação da Palestina».

A ofensiva prossegue, com Israel «anexando território palestiniano; (...) a persistir em demolir casas palestinianas e a povoar o território com cidadãos israelitas; a deter rotineiramente palestinianos sem acusação», salient.
Os dados apurados por Falk indicam igualmente que, em 2012, existiam 650 mil colonos israelitas na Cisjordânia. Só nos primeiros três meses deste ano, Israel demoliu 204 casas palestinianas.

Em abril foram registados 146 agressões de colonos a palestinianos, e na primeira semana de Junho Israel confiscou 60 mil metros quadrados de terra perto de Nablus e vários cursos e reservas de água.
Nos últimos 46 anos, Israel deteve cerca de 750 mil palestinianos, mantendo, atualmente, perto de cinco mil encarcerados, 236 dos quais crianças, detalha o mesmo documento.
«Estas violações privam os palestinos de esperança e fazem das negociações de paz uma paródia», conclui Falk.

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