ESQUERDA SE UNE CONTRA O FACISMO NO BRASIL

Contestação no Brasil força mudanças

Luta por justiça social


Partidos revolucionários, progressistas e de esquerda, organizações sindicais e movimentos sociais, num total de 76 estruturas, reuniram-se, 21 de junho, em São Paulo, para analisar os protestos ocorridos no Brasil.

Entre os participantes no plenário estiveram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a União Nacional dos Estudantes, a União da Juventude Socialista, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, a Central Única dos Trabalhadores, a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, o Partido dos Trabalhadores, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, o Partido Socialismo e Liberdade, o Partido da Causa Operária, o Partido Socialista Brasileiro e o Partido Pátria Livre.
Segundo informações veiculadas pelo vermelho.org.br, o site do PCdoB, os presentes discutiram a politização dos protestos e formas de impedir a sua manipulação por setores reacionários e de cariz fascista e por bandos criminosos, bem como os caminhos a seguir para que a legítima luta reivindicativa abra caminho a respostas consequentes não apenas na questão dos transportes e mobilidade, mas também, em relação às exigências populares de melhor habitação e de uma reforma urbana, de democratização do acesso à terra, combate à desigualdade social ou melhoria dos serviços públicos de educação e saúde.
No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff fez uma comunicação ao país, considerando que «as manifestações (...) trouxeram importantes lições». As tarifas baixaram [na quarta-feira a maioria das cidades brasileiras recuou nos aumentos dos preços dos transportes que estiveram na base das movimentações de massas] e as reivindicações dos manifestantes ganharam prioridade nacional.
«Temos que aproveitar o vigor das manifestações para produzir mais mudanças que beneficiem o conjunto da população», acrescentou Dilma Rousseff, antes de salientar que não podemos permitir que «a violência nos faça perder o rumo», caso contrário «estaremos não apenas a desperdiçar uma grande oportunidade histórica, mas a deitar muita coisa a perder.»
«O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. Agora está lutando para se tornar um país mais justo», admitiu ainda a mandatária, que anunciou medidas como a canalização de 100 por cento dos royalties do petróleo para a educação, um plano nacional de mobilidade e a contratação de médicos estrangeiros para as unidades de urgência, e garantiu que o dinheiro gasto nos estádios de futebol não afectou os orçamentos da educação e saúde.
Informações difundidas por agências noticiosas estimam que entre um milhão e milhão e meio de pessoas tenham saído às ruas em dezenas de cidades brasileiras na quinta-feira, 20. Na sua esmagadora maioria, os protestos foram ordeiros, só tendo degenerado em confrontos, pilhagens e atos de vandalismo contra edifícios públicos (no Rio de Janeiro, na área metropolitana e cidade de São Paulo, em Brasília, Vitória, Belém, Porto Alegre ou Salvador, por exemplo) por ação de grupos criminosos e fascistas, e no contexto de nova reação desproporcionada da polícia [a Ordem dos Advogados do Brasil atesta estes fatos e o PCB emitiu mesmo uma nota intitulada «Toda a força ao movimento popular! Não ao Fascismo!].
Manifestantes pacíficos ostentando bandeiras de partidos de esquerda foram agredidos e alvo de tentativas de expulsão das multidões. Muitos dos participantes nas marchas ouvidos por órgãos de comunicação social locais denunciaram a violência e as provocações realizadas por bandidos e infiltrados, voltaram a criticar as iniciativas policiais e acusaram algumas estações de televisão e a imprensa conservadora de darem uma visão distorcida dos acontecimentos. O Movimento Passe Livre, promotor inicial da contestação, demarcou-se de novas convocatórias, condenou os ataques e a violência, e lembrou que no seu seio cabem independentes e militantes de partidos, mas não elementos que se manifestem anti-partidos e pela imposição autoritária da ordem.

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