USA QUER INSTALAR ARMAS PESADAS NO LESTE EUROPEU - EUROPA TEME A INEVITÁVEL REAÇÃO RUSSA

Os Estados Unidos têm planos de instalar armas pesadas nos países bálticos e no leste da Europa. A informação divulgada no sábado (13) pelo jornal "The New York Times" foi confirmada por fontes militares americanas.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o fortalecimento das forças de mísseis estratégicos, que receberão este ano mais de 40 mísseis balísticos intercontinentais.

Se a proposta do Pentágono for aceita pelo Executivo americano, Washington irá transferir, pela primeira vez, armas pesadas para os países recém-incorporados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), relata o NYT. Até a queda do Muro de Berlim, em 1989, os países do leste da Europa e particularmente os bálticos (Lituânia, Estônia e Letônia) pertenciam à esfera de influência da então União Soviética.
O arsenal a ser instalado no leste europeu seria composto de veículos blindados, tanques de guerra e armas suficientes para equipar 5 mil soldados. Segundo as fontes consultadas pelo NYT, o objetivo é fornecer segurança para as nações bálticas e do leste europeu, cada vez mais preocupadas após a anexação da Crimeia por parte da Rússia e os combates na Ucrânia.

Aliados temem reação russa
De acordo com o NYT, a proposta ainda deve receber o aval do secretário americano da Defesa, Ashton Carter, e da Casa Branca. O jornal ressalta que alguns aliados da Otan estão preocupados com uma eventual reação russa. Um porta-voz do Pentágono citado pelo jornal disse que nenhuma decisão foi tomada ainda. O Pentágono poderá receber o sinal verde antes da reunião de ministros da Defesa da Otan, prevista este mês, em Bruxelas.
Segundo os planos do Departamento de Defesa, em cada um dos três países bálticos deverá ser instalado equipamento para cerca de 150 homens. Já na Polônia, Romênia, Bulgária e, talvez, na Hungria, prevê-se a instalação de equipamentos para uma companhia ou um batalhão - cerca de 750 homens.
A Rússia provavelmente dará uma resposta ao Pentágono, que planeja usar caças do tipo F-22 na Europa. A opinião é do analista Vladimir Batyuk, do Instituto de Estudos sobre EUA e Canadá da Academia Russa de Ciências.
Militares de la OTAN en Polonia
© FLICKR.COM/ SHAPE NATO / JOSH KEIM
Putin: OTAN é que se aproxima da Rússia, não o contrário
O possível emprego por parte dos Estados Unidos de caças do tipo F-22 Raptor na Europa provocará inevitavelmente um confronto entre a Rússia e a OTAN. De qualquer modo, o lado russo pode responder à altura da medida tomada por Washington, afirmou Vladimir Batyuk, do Instituto de Estudos sobre EUA e Canadá da Academia Russa de Ciências, em entrevista à Sputnik.

"Sobre os caças Raptor de quinta geração, seu uso certamente dará um ímpeto adicional a Moscou para acelerar o processo de colocar em ação os novos caças T-50 de quinta geração. O lado russo também pode retaliar contra outras ações semelhantes dos americanos e de seus aliados", disse Batyuk.

O analista lembrou que o Ministério da Defesa russo não descartou o uso por parte de Moscou de sistemas de mísseis balísticos de curto alcance do tipo Iskander, que seriam colocados em Kaliningrado em resposta ao possível uso de componentes militares dos EUA na Europa.

F-22 Raptor

Quando questionado se os F-22 americanos constituiriam ameaça em um nível diferente para a Rússia, Batyuk disse que ainda é muito cedo para tirar conclusões.

"É difícil dizer até que nível esses F-22 são superiores aos sistemas que estão em uso na Rússia atualmente. Sobre isso, há pontos de vista diferentes, mas em todo caso Moscou tem os recursos necessários para neutralizar essa ameaça."

Nesta segunda-feira, o Wall Street Journal citou a secretária da Força Aérea Americana, Deborah Lee James, que disse considerar o aumento do número de suas forças na Europa, assim como o uso de caças F-22 Raptor no continente por causa das relações com a Rússia, que se deterioraram desde a reunificação com a Crimeia.






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