Partido dos Trabalhadores denuncia, e lamenta, o assassinato do presidente do PT da Paraíba



A luta na terra e pela terra está de luto e o PT perdeu um guerreiro que nunca deixou de lutar por dias melhores para os trabalhadores e trabalhadoras do campo. Perdemos o nosso presidente do PT da cidade de Mogeiro, no agreste paraibano - Ivanildo Francisco da Silva, 46 anos. Ivanildo foi assassinado!
Motivação do crime está relacionada à sua atuação política contra o latifúndio na região, assegura a Comissão Pastoral da Terra (CPT). 


Nota Oficial do PT

“Através desta nota, o Partido dos Trabalhadores da Paraíba (PT/PB) denuncia, e lamenta, o assassinato do presidente do PT de Mogeiro, Ivanildo Francisco da Silva (46 anos), ocorrido na noite desta quarta-feira, 6, no assentamento Padre João Maria, em Mogeiro.

Ivanildo foi morto com um tiro na cabeça disparado por uma espingarda calibre 12. O crime aconteceu na frente da filha de um ano e um mês, que passou a noite inteira ao lado do corpo do pai, que só foi encontrado na manhã desta sexta, 7.


Acreditamos que o presidente do PT de Mogeiro foi vítima do latifúndio, afinal, tinha em sua história a luta pelos trabalhadores do campo, sempre acompanhando e apoiando as ações desenvolvidas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Em 2015, Ivanildo Francisco, e outros agricultores, foram atingidos por disparos feitos por capangas pagos pelos proprietários de uma terra local. Neste caso, os capangas foram presos e liberados após pagamento de fiança.

Esperamos que a Polícia da Paraíba encontre os verdadeiros culpados pelo assassinado de um grande companheiro de luta, que perdeu a vida por acreditar que a terra é um bem de todos, e não apenas de alguns. 

Ivanildo Francisco deixou seis filhos e uma esposa, mas a sua luta permanecerá firme e forte através de outros homens e outras mulheres. Continuaremos acreditando em dias melhores, com oportunidade para todas e todos, com terra para todas e todos. 

Ivanildo Francisco da Silva, presente!”


NOTA: A CPT na Paraíba sente as dores de mais um assassinato no campo

“Mataram mais um irmão...”

Para nós, o que significa o mandamento “não matarás”?

Na Laudato Si, o Papa Francisco nos chama atenção para “o destino comum dos bens”:

 “O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos. Quem possuir uma parte é apenas para administrar em benefício de todos. Se não o fizemos, carregamos na consciência o peso de negar a existência aos outros. Por isso, os bispos da Nova Zelândia perguntavam-se que s significado possa ter o mandamento “não matarás”, quando “uns 20 por cento da população mundial consomem recursos numa medida tal que roubam às populações pobres, e às gerações futuras, aquilo que necessitam para sobreviver.”

Este texto nos faz pensar, especialmente hoje ao saber do assassinato do nosso irmão e companheiro de lutas, Ivanildo Francisco da silva, 46 anos, que morava no Assentamento Padre João Maria no Município de Mogeiro. Encontrado no terreiro de casa, com um tiro (de espingarda calibre 12) na cabeça, e a filha de um ano e meio, ensanguentada ao seu lado, hoje 07 de abril de 2016, às 8 horas da manhã. A casa estava com a porta arrombada, e foram escutados tiros por volta das 22 horas da noite anterior, ainda era dia 06.

Ivanildo está na luta pelo acesso à terra desde 1994, foi acusado injustamente de tentativa de homicídio do policial Sergio Azevedo, ficou um ano e sete meses preso injustamente junto com mais seis companheiros, que foram julgados e absolvidos oito anos depois, em 27 de agosto de 2015.

Há três anos vivendo no Assentamento Padre João no município de Mogeiro, estava solidário à luta dos posseiros das fazendas Paraíso de Pilar, Paraíso de Mogeiro, fazenda Fazendinha e Salgadinho. Esta última, palco de tiroteio em 26 de outubro de 2015, onde Ivanildo foi um dos seis camponeses baleados.

Feliz estava ele nos últimos dias por ter recuperado parte da força no braço baleado, era feliz também pela sua terra e por estar “ajudando outros a conseguir a sua”. É assim que o povo caminhante rumo a terra prometida se fortalece, na luta, no abraço, e também na dor, no companheirismo, sonhando com o Novo que há de vir.

"A força do demônio não vai nos vencer. Com a força de Deus venceremos", nos disse um camponês quando no primeiro despejo no conflito de Paraíso Mogeiro, ele falava desta humanidade que esta desfazendo os caminhos do amor e faz "gente boa" sofrer. Ele fala sobre “não matarás”; ele fala de ter acesso “aquilo que necessitam para sobreviver”.

Que “o amor seja amado”, como nos pedia São Francisco. O nosso Irmão Ivanildo estará sempre presente, na memória das lutas e na nossa indignação. Que o sangue derramado não seja em vão, mais sirva para alimentar nossa força de luta e a nossa fé no caminho de construção do Reino, que mantenha em nós viva a chama da missão de ser presença solidária na luta dos povos da terra, sendo fiel ao Deus dos pobres.


Comissão Pastoral da Terra Paraíba (CPT-PB)

Vítima de latifundiários

Frei Anastácio disse não ter dúvidas de que Ivanildo foi vítima de latifundiários da região. “Em outubro passado, ele e outros cinco agricultores da fazenda Salgadinho foram feridos a tiros de espingardas 12 e revólveres 38 por capangas pagos por proprietários da terra, quando realizavam um mutirão. Ivanildo era um homem da luta dos trabalhadores do campo e sempre estava dando apoio às ações realizadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT)”, destacou.

De acordo com o deputado, os sete capangas foram presos pela polícia, mas pagaram fiança e estão respondendo os processos em liberdade. “Essa é a principal suspeita que temos em relação ao assassinato de Ivanildo, que durante a investida dos capangas foi atingido por dois tiros a queima-roupa, mas escapou”, disse.

Frei Anastácio explicou que Ivanildo estava só em casa, com a criança, porque a esposa havia ido dormir na casa do pai dela. “Hoje, pela manhã, quando ela retornou, encontrou o marido morto e a filhinha suja de sangue e chorando ao redor do corpo. Não temos nenhuma dúvida de que o crime foi encomendado. Espero que a polícia encontre logo os culpados. Não iremos nos calar enquanto a justiça não for feita”, destacou o deputado.

“A luta na terra e pela terra está de luto e o PT perdeu um guerreiro que nunca deixou de lutar por dias melhores para os trabalhadores e trabalhadoras do campo. A justiça tem que ser feita”, disse Frei Anastácio

Ivanildo deixou seis filhos. Cinco do primeiro casamento e a menina de um ano e um mês da segunda mulher, que vivia com ele no assentamento. O trabalhador rural também foi candidato a vereador nas últimas eleições, em Mogeiro, e ficou na suplência com 157 votos. “A luta na terra e pela terra está de luto e o PT perdeu um guerreiro que nunca deixou de lutar por dias melhores para os trabalhadores e trabalhadoras do campo. A justiça tem que ser feita”, disse Frei Anastácio.
Postar um comentário