E a Marcha Mundial das Mulheres foi contra o golpe patriarcal



Esse impeachment é golpe. E é patriarcal, não só porque é a operação de um bando de homem contra uma mulher. O patriarcado é sempre mais complexo, nojento e anda junto de outras estruturas opressivas.
São Paulo – A Marcha Mundial das Mulheres e a Sempreviva Organização Feminista (SOF) tomou as ruas hoje (26), em São Paulo, contra o golpe e o machismo, segundo organizadoras. O protesto também teve como alvo o vice-presidente, Michel Temer, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). O movimento também repudiou a matéria da revista Veja sobre a vice primeira-dama, Marcela Temer, publicada na semana passada.


Em entrevista pouco antes do ato, à Rádio Brasil Atual, a militante da Marcha Mundial das Mulheres e da SOF Maria Fernanda Marcelino contou que a manifestação denunciaria, além do golpe para derrubar o mandato presidencial, também as declarações misóginas contra Dilma Rousseff.

 "Estamos indo às ruas porque a Dilma não cometeu nenhum crime, não foi citada em nenhuma 'lista'. Além disso, por ela ser mulher, levantou reações misóginas e vamos contra esse machismo dos deputados e de parte da sociedade."

O protesto contou com intervenções culturais, denunciando a mídia golpista e machista. que impõe um padrão de comportamento, que está interessada no poder econômico e nos interesses políticos mais obscuros.

A ativista ressaltou que, a votação do impeachment na Câmara dos Deputados (no domingo 17), mostrou que será difícil introduzir o debate de políticas públicas para as mulheres no Congresso.
"Será necessário muita pressão social, porque eles (parlamentares) representam os setores conservadores. Quando eles votaram, apresentaram um padrão de família (exclusivamente) patriarcal."
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