SAI HILLARY, ENTRA KERRY. E A POLITICA EXTERNA AMERICANA TORNA-SE CADA VEZ MAIS POLITICA E MENOS MILITAR

John Kerry enters the stage

Kerry entra em cena
O senador Kerry escusou-se a revelar as suas intenções. Ele lembrou as suas memórias do Vietname ao seu amigo John McCain e assumiu o compromisso de trabalhar em estreita colaboração com a Comissão a que ele por tanto tempo presidiu, logo que esta o confirmasse nas suas novas funções. Quanto ao resto sublinhou que entendia negociar em posição de força com o Irã graças à continuação das sanções, e que a diplomacia dos EUA não se limitaria à segurança internacional, mas englobaria as questões do desenvolvimento. 


Mas, principalmente, nem uma palavra sobre a Síria e as relações pessoais dos Kerry-Heinz com os el-Assad.

Isto tudo com um patuá inultrapassável para vangloriar a nação que teria feito mais em favor da paz e dos direitos do homem que qualquer outra no mundo. A única surpresa terá sido uma citação inesperada de Henry Kissinger sobre a complexidade do mundo moderno. John Kerry quis deste modo demarcar-se do fanatismo ideológico dos seus recentes predecessores, para assumir a imagem de um realista convicto como é de bom tom no Capitólio. Foi também um modo de anunciar sem mais as quedas e os volte-faces a caminho.

Tudo foi feito para não chocar com o lobby israelita e facilitar a confirmação de Chuck Hagel na Defesa - (nomeação para secretário de Estado da Defesa, o que em termos Europeus significa ministro) . Na sombra, o puzzle é montado progressivamente no seu lugar. A Casa-Branca continua a repetir que Assad deve sair, mas o vice-presidente Joe Biden foi para Munique negociar com os Irmãos Muçulmanos, representados por Moaz al-Khatib, enquanto se prepara a cimeira Obama-Putin. A partilha do Médio-Oriente vai começar em breve.



[1] «Sob a liderança do Presidente Obama, nós terminamos a guerra no Iraque, iniciamos a transição no Afeganistão, e trouxemos Osama bin Laden diante da Justiça. Nós também demos um novo impulso à diplomacia Americana e fortalecemos as nossas alianças. E embora a nossa recuperação económica não seja ainda completa, nós estamos no caminho certo. Em resumo, a América é hoje mais forte em si própria e mais respeitada no mundo. E a nossa liderança global está assente num alicerce mais firme do que a maioria poderia ter previsto».
[2] «Hillary Clinton se félicite de la mort de Mouammar Kadhafi», Réseau Voltaire, 22 de octubre de 2011.
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