MANOBRAS DE GUERRA NA UCRANIA

Rússia considera uma provocação


NATO iniciou esta segunda-feira, 20, manobras militares na província de Lvov, no oeste da Ucrânia, que envolvem 1800 tropas de 18 países. Moscovo avisa que exercícios ameaçam o processo de paz.

«Estes são os maiores exercícios internacionais realizados no país», reconheceu Don Wrenn, especialista de Relações Públicas do Exército dos EUA, em declarações à revista Newsweek. Durante as manobras, em que participam soldados da Alemanha, Espanha, Canadá, Polonia, Bulgária, Roménia, Letonia e Lituânia, entre outros, está previsto simular a evacuação de feridos, identificação de explosivos e reacção a emboscadas. O objetivo assumido dos exercícios é aumentar a moral das forças armadas do país depois de 15 meses de conflito com os rebeldes das regiões de Donetsk e Lugansk, que não reconhecem legitimidade à junta fascista no poder em Kiev.
Para Moscou, as manobras da NATO são mais um fator de agravamento da situação na Ucrânia.
«Os exercícios militares entre os membros da NATO e o exército ucraniano na região de Lviv, sob comando norte-americano, são uma clara demonstração da política provocadora da NATO de apoiar inequivocamente as políticas das autoridades de Kiev no Leste da Ucrânia», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, em comunicado divulgado poucas horas após o início dos exercícios, citado pela agência France Presse. «Não só a NATO não está preparada para reconhecer a incorrecção e as possíveis consequências explosivas de realizar tais exercícios, mas está a aumentar consideravelmente a sua dimensão», declarou o diplomata, acrescentando que os jogos de guerra «poderão perturbar o progresso visível no processo de paz sobre a profunda crise interna na Ucrânia».
Entretanto, a degradação das relações entre Kiev e Moscou acentuou-se anteontem, com o anúncio da saída da Ucrânia do sistema de intercâmbio de informações sobre criminosos e sua deportação existente no seio da Comunidade de Estados Independentes. Segundo o ministro ucraniano do Interior, Arsen Avakov, a partir de 24 de Agosto essa troca de dados com a Rússia passará a ser feita através da Interpol.
De referir que o movimento fascista Setor Direita exige a demissão de Avakov, depois do tiroteio ocorrido a 11 de Julho em Mukáchevo entre os seus partidários e agentes locais, que provocou três mortos. Os membros da organização fascista reclamam impunidade.
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