CINCO DIRIGENTES SINDICAIS EM ANDALUCIA FORAM PRESOS

Ocupantes das Turquillas condenados
A luta pela terra continua 

O tribunal Superior de Justiça da Andaluzia condenou a sete meses de prisão os dirigentes sindicais Sánchez Gordillo e Diego Cañamero pela ocupação de uma herdade abandonada.

Para além de Sánchez Gordillo, deputado e alcaide de Marinaleda, e Diego Cañamero, secretário-geral do Sindicato Andaluz dos Trabalhadores, a sentença proferida no dia 21 atinge ainda dois outros arguidos que participaram na ocupação da herdade das Turquillas no Verão de 2012.
Juntamente com a pena de prisão por desobediência grave à autoridade, o tribunal impôs-lhes uma multa de 1200 euros, a qual recai ainda sobre um quinto arguido pelo delito de usurpação.
Além disso, os cinco condenados deverão pagar uma indemnização ao Ministério da Defesa no valor de 486,84 euros por danos e prejuízos e outra no montante de 274,76 euros por despesas de limpeza da zona do acampamento.
Os restantes 49 réus, militantes e simpatizantes do SAT, foram absolvidos por não terem sido devidamente identificados como participantes na ação.
Diego Cañamero, secretário-geral do SAT, anunciou que o Sindicato vai recorrer da sentença para o Supremo Tribunal, esperando que «em outras instâncias alguns juízes independentes não atuem sob a consigna do PP».
Apesar da condenação, Cañamero assegurou que o SAT prosseguirá a sua atividade sindical com «normalidade».
«A sentença exige que paguemos danos e prejuízos por termos trabalhado a terra, semeado e regado, e isso é considerado um dano», lamenta o líder sindical que qualifica a decisão judicial como «uma condenação política», que reflete «não critérios judiciais, mas pressões políticas».
«Com a ocupação das Turquillas quisemos reivindicar aquelas terras, como o fizeram os senadores do PP [durante o governo socialista de Zapatero] e as diversas administrações. Quisemos que com a nossa ação as petições de municípios e instituições se tornassem realidade», salientou Cañamero.
A propriedade das Turquillas tem cerca de 1200 hectares, dos quais apenas uma terça parte está ocupada por uma manada de cavalos pertencente ao Ministério da Defesa.
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