BATEU DESESPERO




CORPO-A-CORPO
CENAS PEDAGÓGICAS DE CAMPANHA

6 horas da manhã desta segunda feira, 23-08; porta de fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, SP. Lula e Dilma fazem panfletagem num corpo-a- corpo com seis mil trabalhadores que se espremem para abraçar e falar com os dois. Manhã de 6º feira, 20-08, Curitiba, PR; Monica Serra e Fernanda Richa, respectivamente, esposas do presidencíavel tucano e do candidato do PSDB ao governo do Estado, explicitam o que o tucanato pensa sobre o Bolsa Família, em café com representantes de bairros da cidade: ‘As pessoas não querem mais trabalhar, não querem assinar carteira e estão ensinando isso para os filhos...".
Depois, alertadas talvez que não estavam falando a madames de Higienópolis, o bairro rico de SP, tentaram remendar o discurso contra o Bolsa Família: '...o programa será mantido, mas por um período, até que as pessoas tenham promoção social’. Domingo,dia 22-08, Vila Nova Cachoeirinha, SP: ‘Serra chega para fazer campanha. Quatro cabos eleitorais começam a gritar ‘Serra, Serra’, na tentativa de animar cerca de 50 pessoas.Ninguém acompanhou o coro’
(Carta Maior,com informações, Estadão, Valor e Folha; 23-08)
Franklin Martins: Serra falta com a verdade
 
 O Ministro-Chefe de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota repudiando as acusações feitas quinta-feira pelo candidato do PSDB. Serra acusou o governo de "censurar" a imprensa e de financiar "blogs sujos". O tucano não forneceu qualquer prova de censura nem apontou o nome de nenhum "blog sujo". Na nota oficial, Franklin Martins diz que Serra não apenas falta com a verdade, como contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que as instituições do país são frágeis e os valores democráticos, pouco consolidados.
O Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, divulgou nota oficial repudiando as acusações feitas ontem por José Serra, candidato do PSDB à presidência da República. Como se sabe, Serra acusou o governo de “censurar” a imprensa e de financiar “blogs sujos”. O tucano não apontou nenhum exemplo de censura que teria ocorrido nem identificou quais seriam os “blogs sujos”. Segue a resposta de Franklin Martins:

O candidato do PSDB a presidente da República, José Serra, acusou hoje (19) o governo federal de cercear, constranger e censurar a imprensa. Trata-se de uma acusação grave e descabida, sem qualquer apoio nos fatos.

A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer. Publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de pressão ou represália.

Para nós, a liberdade de imprensa é sagrada. O Estado Democrático só existe, consolida-se e se fortalece com uma imprensa livre. E, ao garantir a liberdade de imprensa no país, o governo federal sabe que está em perfeita sintonia com toda a sociedade. Ela é uma conquista do povo brasileiro.
Compreendemos que as paixões da campanha eleitoral podem, em determinadas circunstâncias, toldar julgamentos serenos, mesmo naqueles que dizem ter nervos de aço. Mas seria prudente que certos excessos fossem evitados. Ao dizer que o governo federal censura e persegue a imprensa, o candidato Serra não apenas falta com a verdade. Contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis e os valores democráticos, pouco consolidados.

Jefferson: 

Serra fez "mau uso" do tempo que o PTB deu

Presidente do PTB, o deputado cassado Roberto Jefferson está inconformado com a exposição da imagem de Lula na propaganda eletrônica de José Serra.

Manifestou seu desapontamento num diálogo cibernético que travou, neste domingo (22), com internautas que o seguem no twitter.

Numa das mensagens, lamentou: “O que o Serra queria do PTB nós entregamos: o tempo de radio e TV. O marqueteiro fez mal [sic] uso dele. Sorry”.

Noutra, sem mencionar o nome de Luiz Gonzalez, responsável pelo marketing da campanha de Serra, Jefferson evocou uma estrela do mensalão:

“Eu não aprecio marqueteiro político. A síntese deles é o Marcos Valério, o Carequinha”.

Antes, escorando-se na origem ibéricas do sobrenome Gonzales, Jefferson alfinetara: “Infelizmente o espanhol prejudicou o Serra”.

Mais adiante, insinuou que tampouco morre de amores pelo candidato que, supostamente, apoia:

“O Serra me abandonou há muito tempo. Tenho por ele o apreço que ele tem por mim”.

Jefferson abrira baterias contra a acomodação de Serra na garupa de Lula já na última sexta (20). Nesse dia pendurara uma nota em seu blog.

“O PT não vai deixar de graça o furto do papel da ungida de Lula que o PSDB tenta grudar em Serra”

Referindo-se às representações que o PT anunciava que moveria no TSE contra Serra, Jefferson fizera o primeiro disparo contra o marqueteiro tucano:

“Esta Gonzalez presenteou, embrulhada em fita vermelha, ao PT”.

Tomado pela troca de mensagens domingueiras, Jefferson já não vê a eleição de Serra como prioridade. Move-o uma preocupação nova:

“Leio na mídia que Lula quer ofensiva para derrotar PSDB em São Paulo. Seria o mesmo dizer destruir a oposição definitivamente”.

Ambiciona agora o sucesso de outro tucano: “A eleição de Geraldo Alckmin representa a nossa mais importante conquista. Ele liderara o oposição no Brasil”.

Numa crítica indireta à flacidez do discurso de Serra, anotou: “Como eu previra, Lula que não sofre oposição, tentará esmagar a oposição elegendo Mercadante”.

Acrescentou: “Vamos intensificar nossa luta ao lado de Geraldo Alckmin. Ele representa a resistência democrática”.

Jefferson não é voz isolada na coligação de Serra. No PSDB e no DEM é grande o número dos críticos ao oportunismo lulista de Serra.

A diferença é que, diferentemente de tucanos e ‘demos’, Jefferson não guarda irritação no freezer. Ele a despeja, em doses ácidas, na rede.

Escrito por Josias de Souza

DATAFOLHA JOGA CARGA AO MAR


FOLHA SP: “A campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha”

Editoriais – FOLHA SP
Avesso do avesso
Tentativa do tucano José Serra de se associar a Lula na propaganda eleitoral é mais um sinal da profunda crise vivida pela oposição
Pode até ser que a candidatura José Serra à Presidência experimente alguma oscilação estatística até o dia 3 de outubro. E fatores imprevisíveis, como se sabe, são capazes de alterar o rumo de toda eleição. Não há como negar, portanto, chances teóricas de sobrevida à postulação tucana.
Do ponto de vista político, todavia, a campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff.
A situação já era desesperadora. Sintoma disso foi o programa do horário eleitoral que foi ao ar na quinta-feira no qual o principal candidato de oposição ao governo Lula tenta aparecer atrelado… ao próprio Lula.
Cenas de arquivo, com o atual presidente ao lado de Serra, visaram a inocular, numa candidatura em declínio nas pesquisas, um pouco da popularidade do mandatário. Como se não bastasse Dilma Rousseff como exemplar enlatado e replicante do “pai dos pobres” petista, eis que o tucano também se lança rumo à órbita de Lula, como um novo satélite artificial; mas o que era de lata se faz, agora, em puro papelão.
Num cúmulo de parasitismo político, o jingle veiculado no horário do PSDB apropria-se da missão, de todas a mais improvável, de “defender” o presidente contra a candidata que este mesmo inventou para a sucessão. “Tira a mão do trabalho do Lula/ tá pegando mal/… Tudo que é coisa do Lula/ a Dilma diz/ é meu, é meu.”
Serra, portanto, e não Dilma, é quem seria o verdadeiro lulista. A sem-cerimônia dessa apropriação extravasa os limites, reconhecidamente largos, da mistificação marqueteira.
A infeliz jogada se volta, não contra o PT, Lula, Dilma ou quaisquer dos 40 nomes envolvidos no mensalão, mas contra o próprio PSDB, e toda a trajetória que José Serra procurou construir como liderança oposicionista.
Seria injusto atribuir exclusivamente a um acúmulo de erros estratégicos a derrocada do candidato. Contra altos índices de popularidade do governo, e bons resultados da economia, o discurso oposicionista seria, de todo modo, de difícil sustentação em expressivas parcelas do eleitorado.
Mais difícil ainda, contudo, quando em vez de um político disposto a levar adiante suas próprias convicções, o que se viu foi um personagem errático, não raro evasivo, que submeteu o cronograma da oposição ao cálculo finório das conveniências pessoais, que se acomodou em índices inerciais de popularidade, que preferiu o jogo das pressões de bastidor à disputa aberta, e que agora se apresenta como “Zé”, no improvável intento de redefinir sua imagem pública.
Não é do feitio deste jornal tripudiar sobre quem vê, agora, o peso dos próprios erros, e colhe o que merece. Intolerável, entretanto, é o significado mais profundo desse desesperado espasmo da campanha serrista.
Numa rudimentar tentativa de passa-moleque político, Serra desrespeitou não apenas o papel, exitoso ou não, que teria a representar na disputa presidencial. Desrespeitou os eleitores, tanto lulistas quanto serristas.
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