CONSTRUINDO O PARTIDO - PARA REFLEXÃO

Hoje deixo o PT! E tenho algo a falar à sociedade oeirense

Publicada em 18 de Janeiro de 2011 às 01h26
Hoje deixo o PT. Poderia apenas através de um simples oficio endereçado ao diretório municipal, comunicar o meu desligamento do mesmo. Porém, faço questão de tornar público este meu ato. E o faço em respeito aos companheiros participes de um sonho e cúmplices na longa caminhada; Em respeito aqueles que de alguma forma ajudaram ou torceram por mim e acima de tudo em respeito à sociedade oeirense.
Perguntarão: Por que agora, justamente quando o partido ascende ao poder?
Como resposta, ofereço a estes um pouco da minha história e a história do partido em Oeiras. E sem nenhuma outra pretensão digo apenas: Essas histórias justificarão o meu ato.

No ano de 1985 havia partido de Oeiras para procurar em um centro maior melhores condições de vida. Jovem ainda e como é comum nesta fase da vida levava na bagagem grandes sonhos e projetos para o futuro. Dentre estes, a embrionária célula da transformação: Um dia voltar ao torrão natal e aqui criar uma nova ordem política que viesse fazer frente as duas correntes tradicionais. 1986 me encontrei vivendo na cidade paulista de Santos, mais precisamente nas praias de Indaiá e Riviera São Lourenço. Ali, passei a me reunir com outros jovens oeirenses e piauienses de cidades vizinhas a Oeiras, todos sonhadores como eu de um mesmo sonho, arquitetos de um mesmo projeto, ambicionando a mesma transformação, ao que carinhosamente batizamos e passamos a chamar de terceira via. 1988. Era um ano político e ali me juntei às hostes de uma mulher de nome Telma de Sousa que pleiteava chegar à prefeitura daquela cidade..(veja foto ao final). Este foi sem dúvida o estágio inicial de minha formação política.
Para minha surpresa, tomei conhecimento de que o Partido dos Trabalhadores estava sendo fundado em Oeiras pelas mãos de alguns jovens. O que de fato aconteceu. Viajei de volta para participar ativamente desse momento. E nas eleições de 1988 foi apresentada ao povo de Oeiras o nome do Sr. Nonato. (Nonato do Paraguai), tendo como vice um cidadão de nome Carlos. A semente fora lançada. Pela primeira vez na história de Oeiras era oferecida uma terceira alternativa fora das correntes políticas de sempre.
Ao retornar definitivamente para Oeiras no ano de 1991, encontrei o partido desativado. Chamados pelas necessidades pessoais os bravos jovens que alicerçaram o sonho da terceira via, tiveram que partir. Destaco aqui o Glauco, Goretti Meneses, Vicente Dodô, Chico de Rita, Padre Máriton na época missionário e hoje Deputado Federal por um estado da região norte, o saudoso Valter Moura (Valtinho do PT), que foi militar no movimento dos Sem Terras no assentamento Marrecas em São João do Piauí, dentre outros. Por outro lado, com a emancipação de Colônia do Piauí, figuras importantes e de primeira hora como o destemido Joãozinho do Paraguai, seus cunhados Nonato e Mineiro, Adália do Paraguai e os familiares de Dona Querubina se afastaram do núcleo de Oeiras
Era a hora de reativar o partido e não demorou a aparecer militantes que dariam sustentação ao partido pelos anos seguintes e que enfrentariam duros obstáculos pela manutenção do mesmo. Destaco aqui e agradeço a todos eles: João Afonso, Bento Martins (Bentinho), Inácio Bola, Chico do Paquetá, Ceiça França, Telma Viana, Vicente Dodô, Silvia Gomes, Wilson Silva, Natym, Jota Jota Sousa, dentre outros. Com estes bravos companheiros começamos a busca por novas filiações, o que era tarefa difícil, posto que muitos se sentiam desencorajados frente as poderosas forças da política local. O partido possuía rigorosos critérios para filiação chegando a vetar algumas, inclusive de alguns que hoje são detentores de mandato. 
Nossos cursos de formação eram rigorosos e rezávamos criteriosamente na cartilha do partido. Trilhei com estes os mais tortuosos caminhos, amarguei os maiores dissabores, mas saboreei as alegrias de cada conquista, como a de conseguir revitalizar o PT e já em 1992 num lance de grande ousadia lançar Wilson Silva e Silvia Gomes como candidatos a prefeito e vice prefeita na disputa da eleição daquele ano. A mensagem fora ouvida, nossa chapa conseguiu a expressiva votação para a época de quase 500 votos.
Meus projetos sempre foram movidos do propósito de eleger Vereadores, um presidente da república, um governador do estado e um prefeito de Oeiras saídos das bases populares. Sempre me coloquei contra coligações com partidos que representassem ou tivesse vínculo com qualquer tipo de oligarquia. Busquei vender propostas com base em honestidade, sinceridade, compromisso e respeito as liberdades individuais e coletivas . Porém o partido, a medida que aumentava o seu quadro de filiados passou a viver conflitos internos, aquele que outrora tiveram suas filiações rechaçadas se encontravam no seio do mesmo e as temidas coligações apresentavam-se como inevitáveis, acirravam disputas internas através de correntes ou tendências. Sempre fiz parte da tendência que a nível de estado tinha como a sua mais fiel representante a saudosa companheira Francisca Trindade. Sempre fomos maioria a nível local (veja foto), por várias vezes fui presidente do diretório de Oeiras, por outras vezes fui vice presidente. Por outro lado havia a tendência encabeçada por Assis Carvalho, Francisco Guedes. A política atual às vezes é também a arte de desmoralizar cidadãos. Eu, que passei a vida juntamente com alguns dos meus, combatendo com todas as forças a vias tradicionais e viciosas nos vimos conduzidos por aqueles que outrora tiveram filiações abonadas com restrições a fazer alianças com estas. As ultimas eleições retratam bem isto. Ironicamente o PT se viu obrigado a compor com uma chapa composta por dois membros das famílias que aprendemos a combater.
Talvez alguém se surpreenda, mas nunca vi o senador Wellington Dias como um líder. Sempre achei que este chegando ao governo entregaria o Piauí de volta nas mãos da oligarquia. O tempo veio me dar razão. Sua postura de incerteza ao deixar o governo beirou a covardia. Fizeram com que o partido em Oeiras se tornasse subserviente e a serviço de um força política local. Curiosamente, quando não tínhamos o mínimo de condições estruturais por duas vezes lançamos candidatura própria. No entanto quando o partido chegou ao poder, tanto no âmbito estadual quanto federal, em Oeiras este ficou omisso e não mais lançou candidatura própria. Vexatoriamente fez ressuscitar aquele que de pior existe na política local, comprovadamente de ficha suja. Para nossa vergonha maior, os dois parlamentares do legislativo municipal, eleitos pelo PT não tem preparo, conhecimento nem formação. Não se manifestam em favor do povo de Oeiras que vive sucessivos momentos de agonia, descaso, vergonha e incertezas. Praticam com a maior naturalidade o que aprendi e ensinei a condenar.
Silenciam e até mesmo compactuam com as praticas que vem envergonhado a sociedade oeirense e piauiense A história do partido vem sendo contada de forma mentirosa onde curiosamente pessoas de cujas bocas foram proferidos os mais duros adjetivos contra mim e meus amigos lá no inicio da caminhada, são hoje colocadas e pousam para fotografias como fundadoras do partido. Isto é um pouco de minha história e a história do partido aqui em nosso meio. Histórias que justificam o meu ato e minhas ações.

Asseguro ao povo desta terra, aos companheiros participes do sonho de transformação e a todos aqueles que de alguma forma me ajudaram e torceram por mim que não estou enrolando a bandeira de luta. Continuarei militando ao lado daqueles que querem e que anseiam por uma sociedade livre, justa e igualitária. Alistando-me talvez nas hostes de uma outra agremiação partidária onde eu possa ouvir e ser ouvido, respeitar e ser respeitado, e onde haja sincronia de idéias e projetos que respondam aos anseios e necessidades de todos. Posso também fundar um outro partido para dar prosseguimento o que foi interrompido pelos desastrados “companheiros.” Fica o meu convite a você jovem, a você cidadão de bem, professores, profissionais liberais e a todos os oeirenses que querem uma Oeiras diferente a ficar atento para este novo momento. Acredito sim, que um novo momento precisa chegar, sei sim que é difícil começar tudo de novo. Mas eu quero tentar. E você?


Orgulhosamente
Carlos Oliveira

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