JEREMY CORBYN BERNARD “PODER DO TRABALHO” - Política trabalhista para uma sociedade decente, igualitária, para todos!





Jeremy Corbyn Bernard (nascido em 26 de maio de 1949)  é um político britânico,  líder do Partido Trabalhista e Líder da Oposição. Ele tem sido o Membro do Parlamento (MP) para Islington Norte desde as eleições gerais de 1983. Corbyn começou sua carreira política em 1974, quando foi eleito para Conselho de Haringey, mais tarde também servindo como Secretário do Islington Partido Trabalhista Constituinte (CLP); continuou sua luta política entrando na Câmara dos Comuns como um MP.

Beneficiado de uma extraordinária mobilização cidadã, mais de meio milhão de participantes, contra a austeridade, a fazer lembrar o tipo de mobilização a partir de baixo que, por exemplo, levou o Partido Nacionalista Escocês à posição hegemônica nessa nação.

A Terceira Via, essa odiosa combinação de aceitação da financeirização do capitalismo, relaxamento em relação às desigualdades e crimes contra a humanidade, o melhor sintoma do triunfo de Thatcher, foi derrotado. Os herdeiros de Tony Benn, os que nunca desistiram, estão vivos e são jovens. Os herdeiros de Blair podem ganhar muito dinheiro, como o próprio, mas, até por isso, estão isolados socialmente.

Dada a influência político-ideológica britânica, o “poder suave” de que se fala, trata-se de um acontecimento com relevância mais vasta. Bem sei que todos os anti-socialistas dos Partidos Socialistas, responsáveis intelectuais pelo seu esvaziamento, já falaram de “radicalismo”, mas como sublinharam recentemente vários economistas políticos numa carta, radical é mesmo o contexto austeritário, tanto mais que a Grã-Bretanha ainda dispõe de relativa autonomia no campo da política econômica. Corbyn é só alguém que leva a sério a palavra trabalhista: “sociedade decente, igualitária, para todos”, o tal “espírito de 1945”, que continua ser necessário reinventar em 2015.


A auto-descreveu socialista democrático, Corbyn é fortemente crítico da desigualdade social e da pobreza no Reino Unido, e foi premiado por seu trabalho como um  ativista da organização internacional de direitos humanos. Ele defende a renacionalização dos serviços públicos e as estradas de ferro, abolindo as propinas da universidade, restaurando a bolsas de estudo e uma política de desarmamento nuclear, "Flexibilização Popular Quantitativa" para financiar infra-estruturas e projetos de energias renováveis. Ele propõe combate a evasão fiscal, aumento de impostos aos indivíduos ricos e redução dos subsídios de negócios, como uma alternativa ao programa de austeridade do governo Inglês. 

Em 6 de Junho de 2015, Corbyn anunciou sua candidatura à liderança do Partido Trabalhista. Apesar de ter sido inicialmente considerado como uma franja esperançoso na eleição liderança - com indicações suficientes apenas garantidos de colegas deputados trabalhistas para ser colocado na cédula-Corbyn rapidamente emergiu como o principal candidato nas pesquisas de opinião e garantiu o apoio da maioria dos sindicatos filiados ao Partido Trabalhista, bem como três sindicatos não-filiados. Em 12 de setembro de 2015, foi eleito líder do Partido Trabalhista, com uma avalanche de votos no primeiro turno da votação.

Após uma ativa campanha de três meses de duração, mobilizando 422 mil votantes, Jeremy Corbyn foi eleito novo líder do Partido Trabalhista do Reino Unido (doravante PTRU). Conseguiu 251 mil votos, 60% do total, vencendo os outros três candidatos já no primeiro turno, no maior processo democrático da história do partido. Mas o mais relevante nesse acontecimento é o perfil de esquerda de Corbyn, que venceu seus concorrentes, todos de perfil mais moderado, com um discurso militante, mobilizador, dirigido ao partido e ao conjunto da sociedade, de conteúdo ideológico, defendendo explicitamente e com otimismo, através da ação política, a busca de uma sociedade decente e melhor, objetivo, segundo ele, ainda intacto, que emanaria do espírito de fundação do trabalhismo inglês, desde 1900.

A derrota do PTRU, nas eleições gerais de maio de 2015, para o Partido Conservador, propiciou a reeleição do primeiro-ministro David Cameron. Ed Miliband, o perdedor, renunciou aos postos de líder do partido e da oposição parlamentar. Desde então, abriu-se uma disputa eleitoral oficial para definir quem o substituiria e quem seria o novo líder da oposição na Câmara dos Comuns.

Jeremy Corbyn é deputado desde 1983 e tem longa história de ativismo político, desde o início dos anos 1970, como sindicalista, defensor dos direitos humanos, líder do movimento inglês contra o apartheid na África do Sul etc. Recentemente, tem se engajado na solidariedade aos refugiados que tentam ingressar em países europeus. Suas propostas, em síntese, envolvem ação desenvolvimentista do Estado, com explícita rejeição à austeridade, combate à desigualdade e pobreza, ambientalismo e pacifismo.

Defende uma economia focada na prosperidade, baseada no crescimento e em empregos de alta qualidade, assim como a justiça fiscal, que passaria, entre outras políticas, pelo combate à sonegação e fraude, pela redução dos benefícios tributários e subsídios às empresas e pelo aumento da taxação sobre os ricos. Para aprimorar a infraestrutura e a inovação, propõe a criação de um Banco Nacional de Investimento. O mesmo debate travado no Brasil em relação à política fiscal ocorreu durante a eleição no trabalhismo inglês. Como combater o déficit público? Apesar de uma pequena diminuição no montante de déficit que tem sido acumulado em cado ano-calendário, a dívida pública do Reino Unido tem aumentado. Corbyn considera que o melhor caminho para enfrentar o déficit fiscal é conquistar uma economia forte, que promova crescimento, e não a política de austeridade dos conservadores, que corta benefícios sociais das famílias com crianças pobres, aumenta a pobreza e não coloca a dívida em trajetória de queda. Em todo o caso, os 2,6% de crescimento do Reino Unido em 2014 foi o maior índice entre os países do G7. Mas isso indica que a economia mundial não vai bem. E a previsão é que o país cresça um pouco menos em 2015.

As próximas eleições gerais ocorrerão em maio de 2020. Há um longo caminho pela frente. O PTRU está fragmentado. O novo dirigente máximo conseguirá unificá-lo? Tony Blair, o ex-primeiro-ministro, que abriu caminho para os 13 anos de governos trabalhistas (1997-2010), fez vigorosa campanha contra Corbyn, dizendo que ele arruinaria o partido com sua política de “Alice no país das Maravilhas”. Mas a vitória de Corbyn foi um sinal claro da militância, sobretudo dos jovens, contra a política de centro da direção de um partido que é considerado como “esquerda do centro”. Em todo o caso, há dúvida sobre se Corbyn será o líder de um movimento de protesto ou uma alternativa real ao poder dos conservadores, os tradicionais Tories.

Seja como for, o resultado da eleição do novo dirigente do PTRU é uma clara renovação de liderança, que sinaliza contra a lei de ferro das oligarquias. Corbyn iniciou a campanha como um candidato à margem das correntes favoritas. Se terá ou não fôlego para encarar a disputa interna e avançar no diálogo com o eleitorado é uma questão em aberto. Como disse recentemente Boaventura de Souza Santos, em entrevista, há uma crise da esquerda no mundo. A dificuldade dos partidos de esquerda governarem o capitalismo, sobretudo nessa fase de economia globalizada em crise, com resiliência das políticas neoliberais, é imensa, como ilustram os casos da Grécia e do Brasil, embora aqui a questão da corrupção seja um agravante.

Por outro lado, a alternativa anterior de renovação do PTRU, denominada Novo Trabalhismo ou Terceira Via não foi bem-sucedida. O intuito era conciliar, em um contexto de globalização e de mudança da sociedade inglesa, o ideário social-democrata de justiça social com a aceitação do mercado como eixo coordenador da economia. Muito do diagnóstico foi formulado pelo sociólogo Anthony Giddens, como a identificação de uma sociedade inglesa pós-industrial, baseada em uma economia de serviços, inserida na mundialização e na era da informação e conhecimento; uma sociedade em que há declínio dos sindicatos e do proletariado como agentes de transformação e emergem valores e demandas pós-materialistas. A Terceira Via avaliou que igualdade fundamental deveria ser a de oportunidades, e não a socioeconômica e o foco deveria estar na educação, a começar pela básica.

Apesar de alguns avanços, como a fixação de um salário-mínimo nacional, em 1998, o apoio de Tony Blair à Guerra do Iraque, em 2003, se fez acompanhar da aproximação do PTRU em relação a poderosos grupos financeiros e da mídia. Essa guinada liberalizante teve impacto na política trabalhista e nos serviços públicos, desagradando eleitores sensíveis ao enfraquecimento do estado de bem-estar social. Gordon Brown, que sucedeu Tony Blair, deixou o posto bastante desgastado politicamente, dando vez ao conservador David Cameron. Jeremy Corbyn surge nesse contexto de crise do trabalhismo e crise da austeridade como solução para a crise do capitalismo. Suas propostas retomam um papel mais ativo do Estado na economia, no combate à desigualdade e evocam ideais socialistas. Palmas para os que apostam na renovação democrática do programa do grande partido trabalhista da pátria-mãe do capitalismo!(Agradeço a colaboração de Felipe Maruf Quintas.)


Postar um comentário