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| Na mente e na vida de Kimani Gray |
Entretanto, começou uma luta pelo retrato de Kimani Gray.
Michael Bloomberg, multibilionário e chefe do governo de Nova Iorque, tem-se ocupado a demonizar o jovem assassinado, acusando-o de estar armado, de já ter sido detido antes e de pertencer a um gangs. Ao mesmo tempo, família, amigos, colegas, professores e mesmo o diretor da escola em que estudava, pintam uma imagem muito diferente.
Stop and Frisk
Para conter a emancipação social dos afro-americanos, o grande capital norte-americano nunca hesitou em recorrer às tácticas mais brutais.
Da mesma forma que nos anos sessenta e setenta introduziram o crack no Partido Pantera Negra, hoje promovem a negatividade, a fraqueza e a destruição da auto-estima dos jovens afro-americanos. Programas como o nova-iorquino Stop and Frisk (qualquer coisa como «parar e revistar») criam as condições psicológicas e políticas para que uma criança desarmada possa ser primeiro assassinada e só depois se pergunte o porquê.
Da mesma forma que nos anos sessenta e setenta introduziram o crack no Partido Pantera Negra, hoje promovem a negatividade, a fraqueza e a destruição da auto-estima dos jovens afro-americanos. Programas como o nova-iorquino Stop and Frisk (qualquer coisa como «parar e revistar») criam as condições psicológicas e políticas para que uma criança desarmada possa ser primeiro assassinada e só depois se pergunte o porquê.
Com efeito, Kimani foi morto no decorrer de uma operação de Stop and Frisk. Só entre 2011 e 2012, mais de um milhão e 200 mil pessoas foram paradas e revistadas pela polícia de Nova Iorque por serem consideradas «suspeitas». E embora menos de 10% destas operações tenha resultado em qualquer acusação, 87% de todos os «suspeitos» eram (suspeitosamente) negros ou hispânicos. O Stop and Frisk é a justificação implícita do assassinato de adolescentes como Kimani e a completa normalização da brutalidade policial. Mas as constantes operações que aterrorizam e humilham as comunidades imigrantes e afro-americanas são também uma espécie de seguro do sistema carcerario.
Como há cento e cinquenta anos, as classes dominantes norte-americanas dependem economicamente do racismo e da canalização dos negros da escola para a prisão. Os EUA têm a maior população de presos do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. O que significa que em cada 100 americanos um está preso. A subir um raio desde os anos oitenta, a inacreditavel taxa surreal de encarceramento dos EUA é também um negócio lucrativo e um instrumento de controle politico-social: à medida que o negócio das prisões privadas se alastra, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político. Os donos destes cárceres são na prática donos de escravos, que trabalham em fábricas no interior da prisão por salários inferiores a 50 centavos por hora. O trabalho escravo é tão competitivo, que se aprova leis que vulgarizam as sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar balas e doces.
O alvo destas leis draconianas são sobretudo os negros que, representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional.
Quem matou Kimani foi este sistema racista e profundamente injusto. Para compreender porquê, devemos questionar e revolver a biografia do assassino, não a da vítima

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