Para consolidar a ‘Revolução Cidadã’
Correa precisa seguir com rapidez e firmeza
A arrasadora vitória de Rafael Correa, com uma porcentagem de votos e uma diferença entre ele e o seu mais próximo concorrente, que teriam desejado Obama, Hollande, Rajoy, entre outros, deixa algumas lições que é conveniente recapitular.
Primeira, a mais óbvia: a ratificação do mandato popular para seguir pelo caminho traçado, mas, como disse Correa em sua coletiva de imprensa, avançando mais rápido e profundamente. Sabe o reeleito presidente que os próximos quatro anos serão cruciais para assegurar a irreversibilidade das reformas que, depois de dez anos de gestão, teriam concluído com a refundação de um Equador melhor, mais justo e mais sustentável.
Segunda lição: se um governo obedece ao mandato popular e produz políticas públicas que beneficiam a grande maioria nacional – que , ao fim e ao cabo, se trata de democracia – , a lealdade do eleitorado pode ser tomada como segura.
A manipulação das oligarquias midiáticas, a conspiração das classes dominantes e os estratagemas do imperialismo se chocam contra o muro da fidelidade popular diante de um governo fiel ao seu mandato.
Terceira, e como consequência da anterior, a esmagadora vitória de Correa demonstra que a tese conformista tão comum no pensamento político convencional, a saber: “o poder desgasta”, só é válida na democracia quando o poder se exerce em benefício das minorias ricas, ou quando os processos de transformações sociais perdem peso, titubeiam e eventualmente se detêm.
Quarta e última, com esta eleição se supera a paralisia decisória gerada por uma Assembleia Nacional que se opôs com intransigência a algumas das mais importantes iniciativas propostas por Correa. Embora haja poucos dados disponíveis a respeito, não há dúvidas de que a Aliança PAIS terá a maioria absoluta dos membros da assembleia, com possibilidades de alcançar uma representação parlamentar que permita contar com uma maioria de dois terços qualificados. Uma Assembleia Nacional que acompanhe o processo de mudanças teria que se dedicar de imediato a elaborar e sancionar uma Lei Orgânica de Comunicação, um novo Código Ambiental, a Lei de águas (essencial para a Reforma Agrária), entre outras peças legislativas de fundamental importância. A reconfiguração do mapa sociopolítico da Assembleia Nacional permitirá remover os obstáculos que, até agora, impediram o avanço em algumas frentes estratégicas do processo de construção de uma nova sociedade.
Há uma grande razão para comemorar. Parabéns Rafael Correa, Saúde Equador!
Atilio A. Boron é sociólogo argentino.
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