| Bachar el-Assad en appelle au Peuple syrien |
Bachar el-Assad apela
Por outras palavras, o povo sírio será o soberano. Fora de questão arranjinhos entre as grandes potências, tal como a manigância que o Sr. Brahimi, a propósito, orquestrou em Taëf no final da guerra civil libanesa, colocando assim o país do cedro sob uma tutela estrangeira que dura até hoje.
Do ponto de vista de Damasco e de Moscou, sendo a Coligação nacional financiada pelo estrangeiro e tendo apelado aos Ocidentais para bombardear a Síria não pode em caso algum participar num governo de unidade nacional. Pior, do ponto de vista de Washington, a Coligação cometeu uma falha imperdoável :
ela condenou a inscrição da Frente Al-Nousra (ramo da Al-Qaida no Levante) na lista norte-americana das organizações terroristas. Por consequência, ela colocou-se do lado dos terroristas e desacreditou-se. O presidente el-Assad indicou pois que o governo de união nacional incluiria todos os partidos políticos que defenderam o país ao longo desta guerra de agressão.No entanto, estes pontos de vista aproximam-se progressivamente. Ao inscrever a Frente al-Nousra na sua lista das organizações terroristas, Washington abandonou de fato politicamente o Exercito sírio livre. Mesmo quando uma parte dos políticos dos EUA distingue o ESL da Al-Qaida, os principais "think tanks" — como o Conselho das relações Exteriores (CFR) — afirmam que, pelo contrário, a Frente Al-Nousra é a principal componente do ESL e a única que tem tido uma importância operacional. Desde logo, tornou-se comum dizer nos Etados-Unidos que a « revolução foi feita refém » ou que ela foi « desviada pelos jihadistas ». Por consequência, Washington pode acomodar-se muito facilmente com a posição de Damasco. A retórica dos Direitos do homem que exigia que se destituísse el-Assad exige hoje que se ajude a mantê-lo para combater o terrorismo.
Tudo isto, claro, não é senão mais que uma grande hipocrisia. Os novos dados energéticos fazem com que os Estados-Unidos não tenham mais necessidade de fazer jogo sujo com o gás sírio ; o triplo veto da Rússia e da China impediu a destruição do país pela OTAN ; e o exército árabe sírio manteve em cheque a estratégia de desestabilização imaginada pelo general David Petraeus. Washington busca uma porta de saída honrosa desta guerra falhada. Bachar el-Assad tomou nota das condições.
Ao apelar ao Povo sírio para se pronunciar através de um referendo, o presidente el-Assad matou vários coelhos com uma cajadada : ele reafirma a soberania do seu povo negada pelos Ocidentais e pelas monarquias do Golfe, ele lembra implicitamente que ele é o único líder dispondo de uma legitimidade ditada pelas urnas, e ele vira a agenda. Sabendo que não faltarão Estados a colocar em dúvida a sinceridade de um tal escrutínio, Bachar el-Assad entende utilizar as suas críticas para acelerar a implantação das forças das Nações-Unidas para supervisionarem o referendo e pôr fim, o mais rapidamente possível, à violência. O presidente escusou-se a referir um calendário para a carta nacional e o referendo, calculando que o Conselho de segurança lhe proporá um a mata-cavalos.
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