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O ABUTRE IMPERIALISTA NORTE-AMERICANO VOA SOBRE A SIRIA

Síria - Não à agressão imperialista!

Syria—No to Imperialist Aggression!

Written by Francesco Merli
Monday, 02 September 2013

Os tambores da guerra em Washington estão batendo bem alto o som de sua música macabra, anunciando um ataque iminente dos EUA contra a Síria. 
No Reino Unido, o fiel escudeiro, Cameron, está de bom grado fazendo coro à chamada. A intervenção imperialista direta marca uma mudança fundamental na situação na Síria depois que a tempestade de uma guerra civil sectária apagou o potencial revolucionário dos protestos contra o regime, desencadeados em janeiro de 2011 pelos acontecimentos da Primavera Árabe.
Travada ao meio de uma sangrenta guerra civil, a revolução foi impiedosamente adiada. A espiral sectária reforçou o controle do regime de Assad sobre as minorias alauítas e cristãs, e sobre a população urbana ameaçada pela crescente onda da reação fundamentalista sunita islâmica dentro da oposição. As forças reacionárias assumiram a direção em ambos os lados.
Uma vez que a oposição, inicialmente um movimento de massas da juventude contra o regime opressivo, transformou-se em uma luta militarizada, as massas foram relegadas para segundo plano e a capacidade da juventude revolucionária de apelar para a massa da população e quebrar a barreira da divisão sectária ao longo de linhas de classe foi neutralizada. Assim, a questão de quem tinha acesso a armas, suprimentos, etc, tornou-se cada vez mais decisivo no campo da oposição, marcando o surgimento da reação mais obscura na forma de forças armadas jihadistas sunitas principalmente em torno da Jabhat Al-Nusra [Frente Al-Nusra]. 
Estes exércitos, reforçados por mercenários estrangeiros e alimentados por doações generosas e armas do Qatar e de outros patronos do Golfo, foram lançados para a frente da batalha. Desde então qualquer componente revolucionário residual foi completamente marginalizado ou esmagado.
Como estávamos alertando em junho, o imperialismo norte-americano finalmente resolveu intensificar a intervenção direta fornecendo armas e treinando o Exército Sírio Livre, em uma tentativa desesperada de alterar as relações de forças dentro da oposição e impedir que os jihadistas consolidassem a sua posição de liderança.
Esta tentativa veio um pouco tarde demais. Obama falhou miseravelmente na tentativa de ganhar o apoio do Congresso, enquanto a situação militar rapidamente mudou em favor do regime de Assad que está claramente vencendo a guerra, forçando, assim, o imperialismo norte-americano a se apressar em uma intervenção mais direta, a fim de abrandar e, eventualmente, impedir a consolidação do avanço militar do regime sírio.
A chave para entender a situação atual reside justamente na virada dramática que decorre dos acontecimentos no campo de batalha da Síria.

Assad está usando armas químicas?

No dia, 21 de Agosto, surgiu a notícia de um ataque com gás Sarin ou algum outro agente químico matando centenas de civis em uma área de Damasco controlada pela oposição. 
Quase imediatamente (e, em alguns casos, até mesmo antes do suposto ataque acontecer) vídeos mostrando grande número de cadáveres e hospitais cheios de civis em sofrimento agudo, especialmente crianças, foram publicados na internet alegando que o ataque foi realizado por forças do governo.
A justificativa para o anunciado ataque dos EUA baseia-se na suposta “evidência” montada em mais um “dossiê” mal costurado pela inteligência dos EUA, apontando para o uso de armas químicas contra a população civil pelo regime de Assad.
No fim de semana, Obama reuniu sua equipe de segurança nacional e ordenou a preparação de um relatório não reservado para divulgação ao público antes que qualquer ataque militar começasse. Na segunda-feira, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou que a evidência “está saltando aos nossos olhos”, que armas químicas foram usadas na Síria, e que o uso de armas químicas pela Síria “deveria chocar a consciência do mundo.”
Como foi dito muitas vezes ao longo dos últimos meses por fontes do governo dos EUA, e reiterado por um conselheiro de segurança nacional de Obama em 14 de junho, “o uso de armas químicas viola as normas internacionais e cruza linhas vermelhas que já existem na comunidade internacional ao longo de décadas” - proporcionando assim uma desculpa providencial para justificar os planos para um ataque à Síria.
Nós não sabemos se há algum fundo de verdade neste “dossiê”. Muito provavelmente as armas químicas estão ​​nas mãos tanto do exército sírio quanto dos bandos armados da oposição. Se realmente foram usadas armas químicas especificamente neste ataque, isso poderia ter sido o resultado de um erro trágico por parte do Exército sírio, como alguns comentaristas têm sugerido, ou uma ação desesperada e fora de controle por parte de uma das facções da oposição armada a fim de provocar a intervenção EUA - ou isso poderia ser pura e simplesmente falso.
Mas, certamente, não há interesse em estabelecer a verdade, nem pelo governo dos EUA - desesperado por um pretexto para intervir - nem pelas forças desmoralizadas da oposição armada, que veem a intervenção dos EUA como a única forma de ressuscitar as suas chances de reverter a seu favor o curso da guerra.
the Nobel Peace Prize in 2009
Para quem nutre esperanças (como infelizmente parece ser o caso da maioria dos líderes da esquerda internacional e do movimento sindical) de que as Nações Unidas poderiam desempenhar um papel na prevenção de uma escalada do conflito, basta repetir o que dissemos em junho:
“A ONU é uma irrelevância. A diplomacia foi posta de lado pelos acontecimentos no campo de batalha. A guerra vai agora decidir tudo.”
Por outro lado, não necessitamos enfatizar que o regime de Assad não precisa usar armas químicas para esmagar seus oponentes – e de fato seria uma loucura completa  fazê-lo e assim dar aos EUA a tão desejada desculpa para intervir diretamente no conflito.
O equilíbrio de forças nesta guerra mudou drasticamente durante os últimos meses e o exército sírio demonstrou ser suficientemente capaz de dominar a força militar da oposição.
“Na guerra, a verdade é a primeira vítima” - a famosa frase atribuída a Aeschilus permanece - mas mesmo de acordo com os baixos padrões da propaganda de guerra, esta parece ser uma farsa completa.
Esta situação não pode deixar de nos lembrar do “dossiê” pelo qual George Bush e Tony Blair juraram solenemente - e solenemente mentiram – e segundo o qual o regime iraquiano de Saddam Hussein possuía “armas de destruição em massa”, justificando, com isso, que os EUA conduzissem a agressão ao Iraque em 2003.

Quais são os objetivos reais

do imperialismo norte-americano?

Mas a questão não é apenas se armas químicas foram usadas ou não, e por quem. 
Depois de mais de 100 mil mortes nessa sangrenta guerra civil na Síria nos últimos dois anos, o governo dos EUA torna-se de repente muito preocupado com a morte de mulheres e crianças e civis inocentes. Quantos foram mortos antes por armas fornecidas pelas potências imperialistas para um ou outro lado desta sangrenta guerra por procuração - A Rússia e o Irã em apoio ao regime de Assad e a aliança profana entre EUA, Grã-Bretanha, França, Qatar e Arábia Saudita do outro lado?
O grande número de vítimas fala por si. Será que importa que crianças sejam executadas por bandidos reacionários nas ruas ou na frente de seus pais por terem desafiado as regras das chamadas leis islâmicas, ou mortos em um dos muitos bombardeios de bairros inteiros realizados pelos rebeldes (ou pelo exército sírio) com armas “convencionais”? 
Será que importa que famílias inteiras sejam agrupadas, trancadas em um edifício e explodidas com dinamite como aconteceu em Khalidiya só porque eram de descendência cristã ou Alawita? É evidente que tudo isso não é o suficiente para “cruzar a linha vermelha” da hipocrisia imperialista.
E será que mísseis de cruzeiro (1) “inteligentes” dos EUA vão discriminar entre militares e civis quando transformarem bairros das cidades sírias em uma bola de fogo? Quem vai arcar com as consequências da destruição do material de infraestrutura, de comunicação, de energia e de suprimento de água, e as consequências devastadoras em longo prazo de um uso “cirúrgico” das armas “convencionais” de destruição em massa dos EUA (como as cascas de urânio empobrecido das bombas derrubadas sobre a ex-Yugoslávia)? 
Serão as mesmas crianças e civis que esses hipócritas sórdidos alegam defender. 
Como essas crianças e civis seriam socorridas por uma barragem de mísseis de cruzeiro desabando em seu país? Mas acima de tudo, quais são os objetivos reais da intervenção imperialista?
O objetivo declarado do ataque contra as instalações militares do regime sírio como sendo um “aviso para não usar armas químicas” é risível. Como também é risível o pretexto de destruir os depósitos de armas químicas, como se o exército sírio ficasse esperando pacientemente que os estrategistas militares dos EUA tomassem a iniciativa, ao longo dos últimos meses, sem ter posto em prática medidas preventivas elementares para proteger seus estoques de armas e defender sua capacidade operacional militar de ataques aéreos.
Talvez um vislumbre do verdadeiro objetivo do ataque militar anunciado poderia ser dado pelo seguinte comentário publicado no domingo pelo New York Times:
“Mas o governo Obama deve resistir à tentação de intervir com mais força na guerra civil da Síria. Uma vitória por qualquer lado seria igualmente indesejável para os Estados Unidos.”
“Nessa altura dos acontecimentos, um impasse prolongado é o único resultado que não seria prejudicial aos interesses norte-americanos.” (NYT, 25-09-2013)
O objetivo mais plausível da intervenção dos EUA parece ser a de afetar seriamente a capacidade do exército sírio de aproveitar a dinâmica adquirida em sua ofensiva contra os exércitos da oposição. Os estrategistas militares norte-americanos têm como objetivo ganhar algum tempo para que possam reorganizar e restabelecer uma situação de impasse, onde a guerra continue sem que qualquer dos adversários seja capaz de vencer. Este cenário abriria a oportunidade para que os imperialistas manobrassem e chegassem a um acordo, à revelia das massas em desespero, através da diplomacia e de uma assim chamada “conferência de paz”. Então adeus aos gritos em defesa de crianças e civis desarmados contra a ameaça do monstruoso regime de Assad!
É uma perigosa – e mesmo desesperada - cartada por parte do imperialismo dos EUA, que pode ser ineficaz no melhor dos casos, e, no pior, arrastá-los para um envolvimento direto muito mais profundo no conflito – o que é muito temido pelos estrategistas militares norte-americanos. A guerra da Síria já tem as características de uma guerra por procuração entre importantes potências imperialistas na região.
Segundo algumas fontes, os militares russos já entregaram as avançadas baterias de mísseis superfície-ar S-300 para Assad, operadas por técnicos russos. Quais seriam as consequências de um ataque aéreo dos EUA matando soldados russos, isso está aberto à especulação. O ataque dos EUA pode ser lançado a partir de quatro destroyers com mísseis, que a Marinha dos EUA instalou na região nos últimos dias. Mas as opções dos EUA para atacar a Síria incluem bases da força aérea em vários países do Mediterrâneo, Turquia entre eles.
Parcialmente em resposta a isso, a Rússia, pela primeira vez em décadas, anunciou o estabelecimento de uma presença militar permanente no Mediterrâneo e transferiu vários grandes navios de desembarque, navios de abastecimento e destroyers para a região.
Na mídia internacional estamos observando o início de uma campanha de propaganda destinada a preparar a “opinião pública” para uma intervenção militar direta por parte do imperialismo dos EUA e seus parceiros menores.
É um dever elementar dos revolucionários internacionalmente desmascarar os verdadeiros interesses do imperialismo e se opor a esta intervenção, que não tem nada a ver com considerações humanitárias. As massas sírias são apenas peões em um amplo e cínico jogo de xadrez das potências imperialistas.
O imperialismo não tem nada a oferecer ao povo sírio e às massas no Oriente Médio. Ao longo dos últimos três anos, milhões de pessoas tomaram as ruas exigindo condições dignas de vida, trabalho, pão, dignidade, o fim da corrupção e dos regimes repressivos brutais. 
As forças revolucionárias conseguiram derrubar alguns desses regimes odiados, mas falharam até agora em derrubar o sistema que os engendrou e as classes dominantes que se beneficiam deles. Em alguns casos, como na Líbia e na Síria, esta falha foi paga com uma guerra civil e reação sangrenta, e temos testemunhado que mesmo as aspirações mais básicas das massas não podem ser atendidas dentro do sistema do capitalismo.
Nosso apelo para a juventude e a classe trabalhadora da Síria, independentemente das divisões religiosas e étnicas, é não confiar nos imperialistas, nem confiar em Assad ou na oposição reacionária, mas se preparar e se juntar a seus irmãos e irmãs e às massas do Oriente Médio na luta comum contra o capitalismo e a opressão imperialista. Mais insurreições revolucionárias estão sendo preparadas em toda a região, e é nelas que está o caminho para a libertação das massas no mundo árabe.

(1) Nota do editor: míssil de cruzeiro é um míssil teleguiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Fonte wikypédia.

AMBIENTALISTA E O POVO INGLES CONTRA A BUSCA PELO LUCRO INDISCRIMINADO

Aldeia no Reino Unido é foco de polémica
Protestos travam «fracking»
Ativistas ambientalistas e população da aldeia de Balcombe, a 30 quilómetros a Sul de Londres, resistem, há quase um mês, ao avanço da prospecção de gás de xisto na região. 

As ações de protesto iniciaram-se a 25 de Julho, quando a companhia de energia Cuadrilla Resources Ltd começou a instalar num campo próximo da aldeia de Balcombe, equipamentos de perfuração com vista à exploração de gás de xisto.
Durante cerca de três semanas, os manifestantes realizaram consecutivos bloqueios de estrada, procurando impedir o acesso de camiões carregados com equipamento.
Indiferente à vontade da população, que nem sequer foi consultada sobre o polémico projecto, a companhia mobilizou um forte dispositivo policial para forçar a passagem das viaturas e realizar os seus planos.
Porém, o número de manifestantes rapidamente passou das dezenas para as centenas, parte dos quais assentaram acampamento e vigiam dia e noite o acesso ao local das prospecções.
Por fim, na sexta-feira, 16, um porta-voz da empresa anunciou a suspensão temporária das perfurações, evocando motivos de segurança levantados pela própria polícia, que receia as ameaças de acções directas, designadamente a invasão do campo, por parte de alguns grupos de activistas acampados.
Este recuo surgiu na véspera de um agitado fim-de-semana, em que milhares de pessoas afluíram à pequena localidade em solidariedade com a população. No domingo à tarde, mais de mil pessoas concentraram-se na estação de caminhos-de-ferro de Balcombe, de onde partiram em desfile para o campo de perfuração, juntando-se aos mais de 800 acampados.
Na busca de lucro

O polémico método de extracção de gás ou petróleo de xisto não é uma descoberta recente. 
A sua crescente difusão nos últimos anos está ligada à subida dos preços do petróleo, que tornou rentável esta exploração. Bastaria que a cotação do ouro negro voltasse a cair para que milhares de campos de xisto fossem abandonados pelas companhias, deixando um rasto de devastação.
O método consiste em criar fracturas («fractures» em inglês, donde a palavra «fracking») nas rochas para que o gás armazenado no seu interior possa ser libertado.
Esse efeito obtém-se injectando água misturada com produtos químicos e areia a centenas ou milhares de metros de profundidade. A alta pressão do fluido abre fracturas nas rochas de xisto, unindo os depósitos de gás até então isolados uns dos outros. O gás natural pode assim ser bombeado para a superfície.
Todavia, este método pode contaminar lençóis freáticos, devido aos químicos utilizados. Por outro lado, a água que é bombeada com o gás constitui também uma fonte de poluição já que pode transportar metais pesados e substâncias radioactivas, resíduos que as estações de tratamento não conseguem remover.

GANHADOR DO NOBEL DA PAZ TRABALHA PARA SOFISTICAR A GUERRA GLOBAL

Os Estados Unidos expandem a guerra global 

através de veículos aéreos não tripulados

Por Thomas Gaist
30 de agosto de 2013
Pelo que o Washington Post descreve como a "próxima fase da guerra de "drones", a administração Obama está decidida a "estender a densa rede de vigilância do Pentágono muito além das áreas tradicionais, fora, portanto, das zonas de combate declaradas". 
De acordo com o Post, Washington resolveu destacar sua esquadrilha de drones mundo afora, onde será usada para monitorar o tráfico de drogas, piratas e "outros alvos que preocupem os meios oficiais dos Estados Unidos".
Uma porta-voz do Departamento de Defesa afirmou que as forças armadas "estão incumbidas de ampliar" as atividades dos drones através da Ásia e do Pacífico. O Post também cita a Colômbia como um teatro de guerra provavelmente acrescido com o emprego de drones, embora os americanos já os tenham empregado em operações contra os "narcoterroristas" em colaboração com forças militares colombianas.
"A vigilância dos drones podem realmente ajudar-nos a evitar o emprego de alguns de nossos aviões tripulados", declarou em março o oficial do Comando Meridional da marinha John F. Kelly, Enquanto Obama tem alegado que "a onda de guerra está recuando", na realidade o governo dos Estados Unidos intensificam as operações militares em todo o mundo. No decorrer da última década, formaram esquadrilhas de centenas de "veículos aéreos de grandes altitudes, não tripulados" (UAVs), que agora executam missões diárias para fins estratégicos de interesse do imperialismo americano. Só a série de drones "Predator" executou pelo menos 80.000 sortidas em áreas de conflito, abrangendo o Afeganistão, o Paquistão, a Bósnia, a Sérvia, o Iraque, o Iêmen, a Líbia e a Somália.
Em seu artigo de 2013, intitulado "Quantas guerras os Estados travam hoje?", de Linda Bilmes, da Harvard School of Government e Michel Intriligator, da Universidade da Califórnia (Los Angeles), asseguram que os Estados Unidos estão empenhados em pelo menos cinco "guerras não reconhecidas e não declaradas" com o emprego de sistemas de armas robóticas.
Como acentua o documento, estes conflitos fazem parte de uma longa "tradição de muitas incursões militares americanas anteriores e encobertas", inclusive as do Chile, de Cuba e da Nicarágua e em muitos outros países. Tecnologias militares de ponta têm facilitado a extensão massiva de tais operações bélicas secretas. Afirmam os autores, que a "emergência de operações por meio de instrumentos robóticos está possibilitando o envolvimento dos Estados Unidos cada vez em mais em conflitos em diferentes partes do mundo".
O relato afirma: "Hoje os Estados Unidos estão envolvidos em dezenas de operações nos cinco continentes. O poderio militar dos Estados Unidos constitui o mais amplo fautor bélico, com significativas instalações militares em mumdiais e com expressiva presença no Bahrein, no Djibuti, na Turquia, no Qatar, na Arábia Saudita, no Kuait, no Iraque, no Afeganistão, no Cosovo e no Quirguistão, além das bases há muito tempo estabelecidas na Alemanha, no Japão, na Coreia do Sul e no Reino Unido".
Acrescente-se que os Estados Unidos dispõem de "algum tipo de presença militar" na Colômbia, no Egito, no Irã, na Jordânia, no Cazaquistão, na Líbia, em Omã, no Paquistão, nas Filipinas, na Síria, no Tadjiquistão, no Turcomenistão, na Arábia Saudita e no Iêmen.
Bilmes e Interligator afirmam que "a criação de aviões-robôs seguros, precisos e operados por controle remoto tem possibilitado aos Estados Unidos expandir dramaticamente o numero de ataques sorrateiros e extra-oficiais sem a necessidade de fornecer informações ao público sobre os lugares onde operam, como são escolhidos os alvos, ou quantas pessoas mataram, inclusive espectadores civis".
Estatísticas da New American Foundation revelam que ataques de drones têm se estendido em razão exponencial. O Paquistão foi atingido por pelos menos nove ataques desse tipo de 2004 a 2007, elevando-se para 118 em 2010.
Muitas operações militares menores com o emprego de drones, na África e no Oriente Médio, aumentam sua frequência. O anterior chefe do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM), general Cartet Ham, declarou em fevereiro que suas forças necessitavam de um aumento da capacidade de supervisão e vigilância para o continente.
Os drones americanos têm efetuado sortidas na África do Norte, e os Estados Unidos já operam esses aparelhos a partir de bases no Djibuti, na Abissínia e nas Seychelles.
Como parte da "Operation Nomad Shadow" (Operação Sombra Nômade), programa secreto americano de vigilância militar, as forças dos Estados Unidos estão presentemente lançando drones destacados na base aérea de Inkirk (Turquia) com o objetivo de fornecer informações para os militares desse país em sua campanha contra o separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Os drones penetram no Iraque setentrional a fim de coletar dados posteriormente transmitidos para uma "célula de fusão", onde são analisados.
As operações com drones suscitam crescente hostilidade popular na Turquia. Protestos surgiram em 2012 como reação a um ataque aéreo dirigido por pilotos turcos guiados por drone americano, que matou 34 civis. Um drone estadunidense alvejou incorretamente um comboio de civis na suposição de que fosse constituído de guerrilheiros do PKK. Documento divulgado na quinta-feira pelo Pew Research Center constatou que 82% dos turcos se opõem às operações da guerra global de Obama.
Simultaneamente às operações externas, a administração Obama acelera as operações de drones nos Estados Unidos. O Office of National Sanctuaries (ONMS), por exemplo, tem adquirido drones Puma que os baseia próximos de Los Angeles, e são empregados pela marinha.
O ONMES no momento trata de expandir seus vôos em outras regiões, inclusive o Havaí, a Flórida e Washington. Planeja-se agora a construção de novo hangar, orçado em 100 milhões de dólares, em Fort Riley (Kansas); ao mesmo tempo outro hangar e um campo de pouso são construídos em Fort Hood (Texas).
As operações bélicas por meio de aviões robóticos pesam seriamente nas vidas dos cidadãos. O ano passado o Bureau of Investigative Journalism - BIJ - (Departamento de Jornalismo Investigativo) divulgou informações de que os ataques alvejam os grupos de socorro, cortejos fúnebres e todos aqueles que retornem aos cenários dos ataques de drones após as explosões iniciais, tática conhecida como "segunda pancada". A assim chamada assinatura dos ataques de drones é frequentemente decidida por análises de "comportamentos padrões", de indivíduos em reuniões supostamente suspeitas e movimentos classificados como alvos.
De acordo com o BIJ, os ataques de drones americanos foram responsáveis por no mínimo 3.500 mortes, inclusive de cidadãos norte-americanos, pessoalmente selecionados para extermínio pelo presidente Obama. O BIJ assevera que ao menos 555 das mortes são de civis, em contraposição ao que alega a senadora Dianne Feinstein de que as baixas giravam em torno de "dígitos únicos".
O governo paquistanês calcula, segundo documento interno que vazou, sob o título "Detalhes de Ataques de forças da NATO e Predators in FATA" demonstram que pelo menos 147 das 746 pessoas mortas pelos drones estadunidenses entre 2006 e 2009 eram civís, entre as quais 94 crianças. Um relatório divulgado pelas faculdades de direito Stanford e a NYU no ano passado afirma que 50 civis são mortos para cada "insurgente" eliminado pelos ataques.
A administração Obama, como observou o Post, "estendeu ampla cortina de silêncio em torno de seu programa mundial de drones", operando em segredo e firmado em dispositivos secretos elaborados com o objetivo de institucionalizar assassinatos em todo o mundo.
Em maio, Obama fez um discurso negando firmemente o emprego de ataques por drones em sua administração, e anunciando simultaneamente a adoção de uma política consubstanciada na "Diretriz Política Presidencial". Obama afirmou, "pela mesma razão do progresso humano que nos proporciona tecnologia para atacar meio mundo, também é obrigatório que se adote disciplina para refrear esse poder - ou riscos de abusos dele decorrente. É por esse motivo que, nos últimos quatro anos, meu governo tem trabalhado seriamente no emprego de força contra terroristas, persistindo na aplicação de diretrizes claras, supervisão e confiabilidade, agora incluídas na Diretriz Política Presidencial que ontem assinei".
O documento denominado Diretriz Política Presidencial (DPP) é um dos mais de 20 dispositivos políticos baixados por Obama e dos quais o público não tomou conhecimento. Consoante o www.allgov.com/, a DPP é uma "declaração pelo Presidente dirigida ao executivo, que "se torna parte da estrutura particular e legal em torno de algum estatuto ou programa".
A DPP institucionaliza e proporciona um falso verniz de legalidade para a campanha de alcance mundial de assassinatos direcionados. O que Obama apresenta como contenção de poder é, na realidade, uma medida que priva todo e qualquer indivíduo, em qualquer parte do mundo, do direito de não ser assassinado arbitrariamente por mera decisão de algum burocrata americano.
A guerra mundial de drones é um instrumento primário da política externa estadunidense. É travada sob o manto fraudulento da "Guerra Global contra o Terrorismo", não com o propósito de defender os Estados Unidos contra terroristas, mas como parte da expansão de sua agenda militarista que visa à manutenção do domínio estratégico imperialista em franca erosão.

UMA CONTRIBUIÇÃO AO DEBATE PARA CONSTRUÇÃO DO PT DE SANTANA

Documento produzido por um agrupamento do PT de Santana para reflexão de todos os petistas

PT DE SANTANA
33 ANOS DE HISTORIA E DE LUTA

“Não estamos perdidos. Pelo contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender”
Rosa Luxemburgo

AS DUAS FACES NO EGITO

Egito: A reação do Exército de El-Sissi

e da Irmandade Muçulmana de Morsi

CONTRATOS "ZERO HORAS"

Um milhão de britânicos com contratos «zero horas»
No reino da precariedade

Os contratos «zero horas», que não dão qualquer garantia ao trabalhador, tornaram-se uma prática corrente no Reino Unido, revela um recente estudo de um instituto britânico.

Em algumas empresas do Reino Unido os contratos «zero horas» representam a esmagadora maioria dos vínculos laborais. É o caso da cadeia McDonalds, onde 90 por cento dos trabalhadores (precisamente 82.200 pessoas) estão nestas condições, isto é, tanto podem trabalhar 70 horas por semana como nenhuma, sendo remunerados nessa correspondência.

O empregador não lhes dá qualquer garantia, mas exige-lhes disponibilidade total em função das suas necessidades.

Deste modo, a multinacional do hambúrguer pode dar-se ao luxo de com apenas 1200 trabalhadores efectivos servir diariamente 2,5 milhões de refeições em terras de sua majestade.
A Sports Direct é outra cadeia comercial muito conhecida que mantém 20 mil trabalhadores com contratos «zero horas», ou seja, 90 por cento da mão-de-obra. O mesmo modelo é aplicado nas lojas Boots ou na Subway.
Como explica uma reportagem do jornal espanhol Público.es., não é raro o trabalhador ser convocado de manhã ao serviço e pouco depois ser enviado para casa porque a afluência de clientes ficou abaixo das expectativas.
O assunto tornou-se num tema quente da actualidade britânica depois de o CIPD (Chartered Institute of Personnel and Development), um instituto especializado em recursos humanos, ter publicado, dia 5, um relatório segundo o qual o universo de trabalhadores nestas condições é quatro vezes maior do que os números oficiais indicam.
Assim, enquanto as estatísticas britânicas apontam para a existência de 250 mil «contratos zero», o estudo do CIPD estima que os números reais rondarão um milhão de pessoas.



Um caso de sobre-exploração
Por seu turno, o CIPD, que se baseou num inquérito a mais de mil empregadores, mostra que o recurso a esta modalidade de precariedade absoluta se tornou comum em muitos setores de atividade.
Os resultados revelam que 19 por cento dos empregadores inquiridos empregaram pelo menos uma pessoa nestas condições.
No chamado setor do voluntariado esta percentagem sobe para 34 por cento, no sector público para 24 por cento e no sector privado em geral fica-se nos 17 por cento.
Na hotelaria, restauração e entretenimento, 48 por cento dos empregadores admitiram recorrer aos «contratos zero», na educação, 25 por cento, e na saúde, 27 por cento.
É ainda significativo que 25 por cento das empresas com mais de 250 trabalhadores utilizem este tipo de contratos, enquanto o mesmo sucede em apenas 11 por cento das pequenas empresas.
A maioria dos empregadores (54%), que reconhecem utilizar este tipo de contratos, afirmam que eles representam pouco mais de dez por cento do total de trabalhadores, sendo que a percentagem média é de 16 por cento.
Com base nestas respostas, o CIPD estima que entre três a quatro por cento dos empregados cobertos pelo inquérito têm contratos «zero horas», o que equivale a um milhão de trabalhadores em todo o Reino Unido.
Além disso, as informações fornecidas por 148 trabalhadores com este tipo de contratos mostram que 14 por cento dos patrões frequente ou muito frequentemente não lhes oferecem o número de horas suficiente para manterem padrões básicos de vida.
Por outro lado, 38 por cento dos trabalhadores consideram que têm um emprego a tempo inteiro, trabalhando 30 ou mais horas por semana.
A verdade é que os contratos «zero horas» estão muito longe de servirem apenas estudantes ou pessoas que desejam trabalhar algumas horas por semana, finalidade para que teriam sido criados.
Segundo o sindicato Unison, a grande maioria destes trabalhadores sujeita-se a estes contratos, sem qualquer benefício, como direito a férias, cobertura em caso de doença, seguro de saúde ou indemnização por despedimento, apenas porque não tem outra opção.






POVO ESPANHOL SOFRE

Dívida espanhola agrava-se




Dados do Banco de Espanha, publicados dia 16, revelam que a dívida total do Estado aumentou em Junho mais 6368 milhões de euros, atingindo um total de 943 702 milhões de euros.
Este montante representa 90,3 do Produto Interno Bruto (PIB), cujo valor se cifrou no último ano em 1,045 biliões de euros.
O rápido aumento da dívida pública de Espanha, país que em 2007 ainda ostentava um dos mais baixos endividamentos públicos da União Europeia (36,3 por cento do PIB), é indissociável do rebentamento da bolha imobiliária e da crise económica que se lhe seguiu.
Assim, as contas do Estado, que até àquele ano ou estavam equilibradas ou eram mesmo excedentárias, passaram a apresentar um défice elevado a partir de 2009, ano em que ultrapassou os 11 por cento, nunca baixando dos sete por cento nos exercícios seguintes.
A sangria do erário público deveu-se em grande parte ao esforço de capitalização dos bancos, que levou o governo a recorrer à intervenção externa, em Junho de 2012, no montante de 40 mil milhões de euros.
Porém, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), citadas pela estação Telesur, desde o início da crise, a banca espanhola já absorveu cerca de 250 mil milhões de euros, quase um quarto do PIB.
Este montante é repartido em 63 mil milhões de injecções de capital, 134 mil milhões em avales e 50 mil milhões para a constituição do Sareb, a sociedade de gestão de activos tóxicos.
O organismo internacional calcula ainda que o Estado só poderá recuperar 60 mil milhões de euros, acumulando perdas de 190 mil milhões de euros. Mas o saneamento do sistema financeiro está longe de ter terminado.
Em Junho passado, o Banco de Espanha estimou haver no sistema financeiro até 200 mil milhões de euros de créditos duvidosos. Todavia este montante astronómico representa apenas uma pequena parte do total da dívida privada (empresas e famílias), que ascende a 220 por cento do PIB, ou seja, mais de 2,4 biliões de euros.
Se a economia não arrancar, e não há sinais nesse sentido, a dívida pública espanhola continuará inevitavelmente a subir, podendo ultrapassar os 100 por cento do PIB em menos de dois anos, segundo as do FMI.
Mesmo com juros relativamente baixos (cerca de três por cento), o executivo de Mariano Rajoy orçamentou para este ano uma despesa com o serviço da dívida que se eleva a 38 600 milhões de euros, isto é, muito perto do que destinou aos gastos de todos os ministérios juntos (39 722 milhões de euros).