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ESCÂNDALO INTERNACIONAL - AUTORIDADES DO REINO UNIDO DETIVERAM JORNALISTA BRASILEIRO PARA INTERROGATÓRIO E COLETA DE EQUIPAMENTOS


As autoridades do Reino Unido detiveram durante nove horas no aeroporto londrino de Heathrow o companheiro do jornalista do diário “The Guardian”, Glenn Greenwald, que divulgou as revelações do antigo agente das informações norte-americanas Edward Snowden.
David Miranda, 28 anos, fazia escala em Londres num voo iniciado em Berlim e com destino ao Rio de Janeiro, onde vive com Greenwald, quando foi retido pelas forças de segurança ao abrigo de legislação contra o terrorismo que permite deter e interrogar pessoas em aeroportos, portos e zonas de fronteira, revelou o “The Guardian”.

A ONU MUDA SUA POLITICA E CONSEGUE O APOIO DE DILMA NA LUTA CONTRA A FOME

Brasil dá cartão vermelho para

desperdício de alimentos



Campanha promovida pelo Pnuma e pela FAO, com o apoio da presidente Rousseff busca reduzir a quantidade de comida que é jogada no lixo todos os anos; iniciativa chegou aos campos de futebol brasileiros
A campanha da ONU "Pensar. Comer. Conservar. Diga não ao Desperdício", lançada em janeiro, ganhou os campos de futebol brasileiros.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e a Organização para Agricultura e Alimentação, FAO, alertam que 1,3 bilhão de toneladas de comida vão parar no lixo todos os anos.


Objetivo



O objetivo da iniciativa é fornecer informações para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos.
A campanha ganhou mais força na semana passada quando uma faixa promovendo o evento foi mostrada durante um jogo entre o Flamengo e a Portuguesa, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Segundo o Pnuma, o Flamengo é um dos times mais populares do país, com mais de 35 milhões de torcedores, só no Brasil. Mais de 17 mil fãs pagaram ingresso para ver a partida entre os dois clubes.



Copa do Mundo


O Mané Garrincha vai ser uma das arenas usadas durante a Copa do Mundo de Futebol no ano que vem pela Fifa. 
O estádio foi construído com vários dispositivos sustentáveis, como por exemplo, paineis solares para reduzir os gastos com energia e um sistema de coleta de água da chuva usado para irrigar o gramado.
O Pnuma reconheceu o trabalho ambientalista de Dilma e avisou que continuará apoiando o governo brasileiro em projetos verdes. A agência da ONU vai fornecer também aos torcedores que forem assistir a Copa do Mundo em 2014 os chamados "passaportes verdes", que incluem informações sobre regiões de turismo sustentáveis".

RAFAEL CORREA: DIGNIDADE NÃO TEM PREÇO. EQUADOR NÃO ACEITA PRESSÕES. EQUADOR NÃO MUDARÁ SEUS PRINCÍPIOS

Correa: “No me pidan que claudique en mis principios ante tanta hipocresía

"Nossa dignidade não tem preço." Equador "não aceita pressões" e não vai mudar os seus princípios. Com estas palavras, Rafael Correa se dirigiu ao povo do Equador, referindo-se à situação em torno de Edward Snowden."Não me pergunte sobre os meus princípios ante a tanta hipocrisia. Não me peça para mudar de ser livre para a solvência servil nefasta ".

REPUDIAMOS E QUALIFICAMOS COMO GENOCÍDIO AS MORTES NO EGITO




Evo Morales qualifica como genocídio o alto nível de violência no Egito. 

Não é possível digerir fatos onde países ou impérios promovam este tipo de genocídio!


O presidente da Bolívia, Evo Morales,  rejeitou a escalada de violência que se desencadeou no Egito nos últimos dias, chamando-o de genocídio. Durante uma cerimônia pública realizada em La Paz (oeste), o presidente boliviano disse que ele está consternado pelas centenas de mortes efetivada pela repressão policial contra os apoiantes do presidente deposto Mohamed Mursi. "É inaceitável e condenamos esse genocídio (...) Pessoalmente, estou surpreso como pode ser capaz de ter tanto abate e execuções? Para mim, desculpem a expressão, é um genocídio e nos dias de hoje, não pode haver um genocídio ", disse o chefe de Estado. 

EUA DESENVOLVE PRÁTICAS QUE ATENTAM CONTRA A SOBERANIA

Brasil: EUA  deve terminar "práticas que atentam contra a soberania"
O ministro das Relações Exteriores do Brasil Antonio Patriota, disse ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry que  "USA deve acabar com as práticas que atentam contra a soberania", referindo-se a espionagem global dos EUA.

BANQUEIRO MILIONÁRIO, ACUSADO DE SONEGAR IMPOSTOS E DE CONTRABANDO É O NOVO PRESIDENTE DO PARAGUAI

Cartes - Guarda seu dindim em paraíso fiscal offshore em Ilhas Cook

Vazou informações sobre fortunas escondidas em paraísos fiscais. "Amambay Trust Bank" foi criada em 1995, durante a crise paraguaia, e funcionou até 2000. Operação foi feita por trás do BCP, o que não é permitido pela legislação paraguaia. Este tipo de operação bancária é usada, geralmente, para sonegar impostos e ocultar dinheiro ilícitos.

COREIA COMEMORA A DERROTA IMPERIALISTA AMERICANA

60º Aniversário do armistício

na Península da Coreia


As celebrações do 60.º aniversário do armistício entre a República Democrática Popular da Coreia (RDPC) e os EUA, que decorreram em Pyongyang, de 25 a 30 de Julho.
Ao comemorarem-se seis décadas sobre a assinatura do armistício, a 27 de Julho de 1953, que pôs fim à Guerra da Coreia, o PCP, confirmando a sua solidariedade de sempre à luta patriótica do povo coreano pela reunificação independente e pacífica da sua pátria, transmitiu as suas saudações aos comunistas, ao povo da República Democrática Popular da Coreia e a todo o povo coreano.

Na ocasião, foi apontada a importância de não permitir que seja apagada a memória da guerra desencadeada pelo imperialismo na Península da Coreia. 
Uma guerra injusta dirigida contra a heróica luta libertadora do povo coreano que teve como objetivo conquistar posições estratégicas para a ação hostil imperialista contra o campo socialista, o qual, à época, reforçava-se na Ásia com o ascenso das lutas de libertação nacional ocorridas na sequência da Segunda Guerra Mundial, nomeadamente com a proclamação da República Popular da China, em 1949.

A brutal agressão imperialista na Península da Coreia provocou imensas vítimas, sofrimentos e destruições, e impôs a divisão da nação coreana, a ocupação militar do Sul da Coreia pelos EUA e a transformação desta região num constante e perigoso foco de tensão e de guerra que é necessário eliminar.
Ao assinalar-se esta data histórica, muitos pronunciaram-se pela transformação do armistício num real acordo de paz que ponha, de uma vez por todas, fim à situação de confrontação, assim como pela retirada das forças armadas estrangeiras da Península da Coreia e pelo respeito do direito do povo coreano a decidir soberanamente do seu próprio destino.
As celebrações que assinalaram a vitória na guerra de libertação nacional foram o seu ponto mais alto num espectáculo com dezenas de milhares de participantes, ao qual assistiram mais de 120 mil pessoas que encheram o Estádio 1.º de Maio, na capital da RPDC.

PSDB GESTÃO PÚBLICA NEOLIBERAL GOLPISTA E DESASTROSA PARA A SOCIEDADE

O governo Covas - Em 1995, Mário Covas assumiu o estado de São Paulo declarando haver herdado dívidas das gestões anteriores. 

O Banespa, principal banco estadual do país, estava sob intervenção do Banco Central por má gestão. 

Escândalo do Banespa

O Banespa - Banco do Estado de São Paulo - se tornou grande agente financeiro da economia paulista a partir de 1909, quando o Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, primeiro nome do banco, se associou ao capital francês. A partir de 1919, no governo Altino Arantes, o Estado de São Paulo passou a ser seu acionista majoritário, e o banco foi o responsável pelo fomento às políticas públicas, ao desenvolvimento social, provendo créditos e serviços bancários e financeiros. Sustentou o ciclo do café, financiou grandes obras públicas, como hidrelétricas, estradas de ferro e rodovias, além de fornecer crédito rural, para as obras municipais e melhoramentos urbanos.

O GOVERNO CORRUPTO TCHECO REMOVIDO DEPOIS DA CRISE POLITICA DE JUNHO

Governo cai na República Checa
Czech Republic and the Political Crisis
 
O governo tecnocrata da República Checa, encabeçado por Jiri Rusnok, nomeado em meados de Julho pelo presidente Milos Zeman, foi derrubado, dia 7, por uma maioria parlamentar que lhe negou o voto de confiança.
Dos 193 deputados presentes, 93 apoiaram o governo e 100 votaram contra.
A crise política checa entrou em erupção em 13 de junho 2013, quando a Unidade de Combate ao Crime Organizado e do Gabinete do Chefe do Ministério Público (de Olomouc) invadiram conjuntamente vários escritórios de políticos e empresários, o prédio do gabinete e vários ministérios da República Checa. No dia seguinte, a polícia confiscou ouro e dinheiro recebido de empresas privadas que esses corruptos tinham em um banco na Praça Venceslau.
 
A equipe de Rusnok, que substituiu o governo de centro-direita chefiado por Petr Necas, no seguimento do escândalo de corrupção e escutas ilegais, continuará interinamente em funções até à realização de legislativas antecipadas.
Com esse objetivo, o parlamento checo deverá reunir-se na próxima sexta-feira, 16, para votar a dissolução da câmara e pedir ao presidente a convocação do ato eleitoral, que poderá ter lugar em Outubro, 60 dias depois do anúncio.
A dissolução do parlamento deverá, no entanto, ter o apoio de uma maioria qualificada de 120 deputados.
De momento, as sondagens mostram que o Partido Democrata Cívico (ODS) continua perdendo popularidade, ao passo que os sociais-democratas se apresentam como possíveis vencedores do escrutínio com 30 por cento das intenções de voto.

DILMA TENTA DIMINUIR O ISOLAMENTO PARAGUAIO NA AMERICA LATINA

Dilma na posse de Cartes

A presidente brasileira Dilma Roussef tenta, na tomada de posse do novo chefe de Estado paraguaio, Horacio Cartes, fazer regressar aquele país ao seio do Mercosul.
Não são muitos os chefes de Estado em Assunção na cerimónia de tomada de posse do novo presidente paraguaio Horacio Cartes. Um presidente que faz regressar ao poder o Partido Colorado, que sustentou a ditadura de Alfredo Stroessener. Ainda assim, a cerimónia contará com a presença de 80 delegações estrangeiras. O Uruguai será um dos que se fará representar ao mais alto nível, através do presidente José Alberto Mujica, bem como o Chile, com Sebastian Piñera e Taiwan, com Ma Ying-Jeou. 
Mas será a presença da presidente brasileira Dilma Rousseff a que se reveste de maior importância. Dilma representa o país que mais relevância tem na economia paraguaia e, por outro lado, será também porta-voz de uma comunidade de países da América do Sul que integram a Mercosul e da qual depende 30% do PIB paraguaio.
É essa comunidade, que não esquece a destituição do presidente Fernando Lugo e a sua substituição pelo seu vice-presidente Frederico Franco, num processo polémico e de legalidade muito duvidosa, considerado por vários estados e organizações da região como um verdadeiro «golpe». Este processo, que suscitou discursos azedos por parte de Dilma Rousseff e também da chefe de Estado argentina, Cristina Kirshner, esteve na base da suspensão do Paraguai da Mercosul e da Unasul. 
Frederico Franco agravou a situação ao responder com ataques ao Brasil, à Argentina e à Venezuela, prejudicando gravemente a economia paraguaia

Nem Kirshner, nem Nicolás Maduro (Venezuela) vão estar presentes na posse de Horacio, e a expectativa de Rousseff é que o discurso agressivo de Franco seja agora apaziguado pelo novo presidente eleito.

Se a perspicácia diplomática de Dilma conseguir atenuar divergências profundas entre o Paraguai e praticamente toda a restante comunidade de estados da América do Sul, será uma razoável vitória, prestigiante para a presidente brasileira, até porque não são muito elevadas as expectativas.
O processo eleitoral de Abril de 2013 legitimou na presidência do paraguai Horacio Cartes, que receberá o poder das mãos de Frederico Franco, presidente interino fruto do processo de destituição do ex-bispo católico progressista, Fernando Lugo. Com Cartes, a direita do Partido Colorado regressará ao poder. E quem é afinal o presidente do Paraguai?
Talvez a circunstância deste banqueiro de 56 anos, separado e pai de três filhos, ser um dos homens mais ricos num país onde 40 por cento dos seus 6,6 milhões de habitantes vivem em estado de profunda pobreza, e a circunstância de ser também detentor de um clube de futebol, o Libertad, tenha justificado, para a AFP, a comparação de Horacio Cartes com o ex-primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi. Porém, na verdade, as coincidências são mais evidentes.
Se o processo que esteve na origem do afastamento de Fernando Lugo e conduziu Horacio Cartes ao poder nas eleições de Abril está marcado por suspeitas de ilegalidade, também o próprio processo de selecção do candidato pelo Partido Colorado foi tudo menos democrático. Cartes, que nunca terá votado até 2009, altura em que se filiou naquele partido de direita com mais de 60 anos de história, 35 dos quais ligados à ditadura de Stroessener, obrigou o partido a proceder a uma alteração estatutária para legitimar a sua candidatura. Como Horacio Cartes só tinha quatro anos de militância no Colorado quando  os estatutos obrigavam a que o seu candidato presidencial tivesse um mínimo de 10...mudaram-se os estatutos.
Este mecânico de aeronáutica, formado nos EUA, que detém mais de uma dezena de empresas nas áreas das carnes, tabaco, refrigerantes e indústria aeronáutica, terá no seu historial, segundo um dos seus adversários, o liberal Efrain Alegre, uma prisão por evasão de divisas. É também Efrain que o acusa de contrabando de cigarros para o Brasil, de tráfico de droga e de lavagem de dinheiro, tudo acusações que o então candidato negou.
O que «Scarface» não pode negar – epíteto colocada por ter uma cicatriz no rosto – é, segundo a BBC, a presença no seu aparelho de um indivíduo de nome Francisco Cuadra, que terá feito parte do governo do ditador chileno Augusto Pinochet.

Professores mantêm protesto

O dia da tomada de posse de Horacio Cartes é ainda marcado por uma marcha de professores, em greve há duas semanas. 
Nesta marcha que terá lugar em Assunção, no dia 15, os professores procuram garantir o aumento das pensões. Esta movimentação, que promete fechar ruas da capital em dia da tomada de posse do presidente, dura há pelo menos duas semanas com uma greve que será prolongada até dia 28 e que vem paralisando metade dos centros educativos do país.
A cerimónia, que durará dois dias, contará com um sistema de segurança composto por mais de 4500 policias e militares.

OKUYAN FALA SOBRE O FUTURO DA TURQUIA

Entrevistando Kemal Okuyan sobre as movimentos de massas na Turquia
 
Reforçar o partido e construir a alternative

Em périplo por vários países da Europa, o editor-chefe do jornal diário Sol e membro do Comité Central do Partido Comunista da Turquia (TKP), Kemal Okuyan, fez um primeiro balanço das movimentações de massas que abalaram o país, destacando as dinâmicas observadas e as exaltantes potencialidades de intervenção que se colocam aos comunistas, bem como a necessidade de construir uma alternativa que preencha de forma consequente o espaço aberto entre o povo e o governo.
 

 
Após semanas de intensas movimentações de massas, o TKP afirma que o ditador sofreu uma derrota e o povo venceu. Porquê?
Neste momento assistimos a um refluxo da contestação. É normal. Não é fácil manter durante tanto tempo o mesmo nível de iniciativa. O declínio do movimento é uma evidência, mas isso não quer dizer que o regime e o ditador tenham vencido, como dizem. Pelo contrário. A escala que a movimentação de massas atingiu foi histórica e em muitos aspectos apresentou novidades. A nosso ver, alterou radicalmente a sociedade turca. Em cerca de 20 dias foram lançadas muitas e importantes sementes de progresso. O medo foi vencido. Existe uma maior consciência da necessidade de organização coletiva e da construção de uma alternativa política e social. Este é um significativo triunfo do nosso povo.
O TKP tem colocado que a chave da continuidade da dinâmica popular era a construção de uma alternativa, mas também notava que as condições subjetivas ainda não estavam completamente maduras. Vocês mantêm esta análise?
 
A inexistência de uma alternativa madura foi, na verdade, o que salvou Recep Erdogan e o seu governo. Ela não existe nem no parlamento, nem, ainda e num sentido mais amplo, na sociedade.
Quatro partidos estão representados no parlamento da Turquia. Um apoia o governo, três dizem-se de oposição. Enquanto as pessoas estavam nas ruas a exigir a demissão do governo, nenhum dos partidos que se diz da oposição apoiou essa reivindicação. Consideraram que não era o momento oportuno para reclamar a demissão do executivo de Erdogan.
Ao recuar e não se apresentar como alternativa, essa dita oposição parlamentar colapsou perante os acontecimentos. Mostrou que tem mais medo de Erdogan e do AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) que o próprio povo.
Não vivemos uma situação revolucionária ou sequer pré-revolucionária, mas a exigência de demissão do governo deve manter-se a par da construção da tal alternativa consequente. É nosso dever promovê-la, e julgamos, sinceramente, que existem condições para se caminhar nessa direção.
 

O Partido Comunista é diferente de todos os outros. As pessoas sabem que não defendemos nem lutamos pela conservação do regime, mas por mudanças radicais na sociedade, pela revolução e pelo poder popular. Durante as movimentações de massas, ninguém questionou a nossa presença nem o papel que assumimos, sempre na primeira fila da luta. Ao invés, as pessoas não só queriam saber qual era a nossa posição como muitas vezes apelavam e apoiavam a nossa presença na dianteira das ações. Toda a gente sabe que somos sérios e que não nos deixamos arrastar para provocações.
Cabe agora aos comunistas aproveitar estas condições favoráveis. Essa é uma das nossas tarefas urgentes. Organizar as pessoas no TKP, politizá-las, dando máxima prioridade à classe operária, aos trabalhadores e locais de trabalho. Repara que praticamente sem organização de base – o sindicalismo de classe e em geral o movimento sindical são muito incipientes –, os trabalhadores turcos vieram para a rua em força. Iam trabalhar e, ao final da tarde, durante a noite, juntavam-se em protestos gigantescos.
A ideia dominante, no entanto, é a de que nos protestos pesava sobretudo o descontentamento da chamada classe média. Isso corresponde à verdade?
Quando olhamos para a imagem que se projetou dos protestos na Turquia, parece que a grande maioria das pessoas que neles participou é oriunda de camadas intermédias e inteletuais. É um fato que tudo se desencadeou em torno do Parque Gezi, mas, na verdade, quando o movimento alastrou, as grandes movimentações de massas ocorreram em bairros habitados por trabalhadores.
Logo no primeiro dia de confrontos com a polícia, no final de Maio, a repressão e sobretudo os protestos espalharam-se por toda a cidade. Nessa mesma madrugada, os populares que nas ruas dos bairros operários enfrentavam a violência, excediam em muito o número dos que também o faziam na Praça Taksim e nas zonas mais próximas.
Em Taksim, predominavam as tendências liberais. Nos bairros populares, prevaleciam as reivindicações de cariz secular e anti-imperialista. Nestes, o povo esteve muito disponível a palavras de ordem de uma radicalidade substantiva e, até, socialistas. A maioria dos que morreram nos confrontos eram trabalhadores e alavitas.
Os alavitas são um ramo do islamismo muito mais aberto e com influências do xamanismo. Bebem álcool, as mulheres não são obrigadas a uma conduta rígida, como acontece por exemplo com os xiitas. Podemos até dizer que, mais do que um ramo, chega a ser uma outra religião.
Os alavitas estiveram em grande número nas ruas, assim como as mulheres, que assumiram lugar destacado nas barricadas e manifestações, e foram, por isso, alvos particularmente visados nas vagas de prisões.
Mas mesmo em Taksim, entre os sectores mais liberais, as palavras de ordem do TKP eram bem recebidas. Quando reclamávamos que todas as fábricas, todos os meios de produção deviam estar nas mãos dos trabalhadores, muitos seguiam essa consigna sem preconceitos ou recriminações.
O movimento evidenciou um grande fosso entre o AKP e o regime, e as massas populares. Os comunistas têm de ser muito rápidos a preencher esse vazio, mostrando ao povo que existe alternativa.
Pelo que nos falando, existem grandes condições para o TKP se implantar entre os trabalhadores, para os organizar e reforçar-se...
Toda esta situação é completamente nova.
Ao longo dos cerca de 20 dias de protestos, as pessoas que nos procuraram para aderir ao Partido excede em muito o total dos nossos militantes. Temos agora que decidir o que fazer e como fazer, até porque a aceitação de todas estas candidaturas terá repercussões na nossa estrutura. Para já, decidimos reforçar a formação política de quadros, com particular preocupação em integrar os novos militantes.
O TKP é reconhecido pelos turcos como um Partido de vanguarda, audaz nas ações de massas, justo na análise, nas reivindicações e projeto, mas isso ainda não se traduziu num crescimento da nossa influência eleitoral e implantação social. Agora julgamos que as pessoas estão em melhores condições para ultrapassarem essa barreira, sobretudo os trabalhadores, que pretendemos que não apenas nos reconheçam como válidos, mas que se identifiquem e queiram pertencer a este coletivo que protagoniza e se bate por uma alternativa ao sistema.
Neste contexto, defrontamos ainda a possibilidade de nos tornarmos um grande Partido. Viemos de tempos difíceis. Estivemos na clandestinidade muito tempo e isso marcou-nos. Os comunistas foram sempre os primeiros e principais alvos da repressão, por isso mantemos um grande sentido de conservação do Partido. O que as movimentações de massas nos confirmaram é que a defesa do Partido é não só possível como muito eficaz entre as massas.
Um destacamento de vanguarda de comunistas liderou muitas vezes grandes manifestações. Isso aumentou em muito a popularidade do TKP, mas também a disposição das massas em seguir o Partido e defendê-lo. O nosso jornal diário duplicou a tiragem impressa. As visitas à página de Internet quase que atingiram o meio milhão.

Muito pra lá de Gezi
Falou-se que a defesa do Parque Gezi desencadeou a movimentação das massas. Que outras questões influenciaram o crescimento e afirmação da revolta?
Do ponto de vista político e cultural, Erdogan é um fascista.
Não um fascista tradicional, mas um fascista. Em cada intervenção, procura impor uma ideologia ultra-conservadora. Está tentando, por exemplo restringir o direito ao divórcio.
Do ponto de vista económico e social, os trabalhadores têm sido espremidos pela imposição de um modelo neoliberal que já chegou ao ponto de destruir os serviços públicos. Agora, o objetivo é liquidar as liberdades e direitos formais, consolidar e avançar para um país de economia capitalista onde os valores islâmicos sejam doutrina de Estado. O povo resiste a ser empurrado para dentro das mesquitas.
Há ainda a questão da sociedade turca ser muito mais jovem do que a da maioria dos países europeus. A media da faixa etária ronda nos 27/28 anos. O desemprego atinge fortemente a juventude, isto depois de terem aberto universidades em todo o país. O objetivo foi fornecer uma força de trabalho altamente qualificada ao capital.
Sucede que enfrentam uma elevada taxa de desocupação entre os licenciados. Estes milhões de jovens tem um nível de educação superior e sentem-se frustrados, o que se voltou contra o governo. Não têm emprego e não estão dispostos a aceitar uma sociedade islamizada.

Forte sentimento anti-imperialista
 
A questão Síria teve peso nas movimentações?
A sociedade turca nunca aceitou a política oficial em relação à Síria.
O governo jamais conseguiu criar a atmosfera que pretendia. As suas acusações à Síria foram sempre vistas pelo povo como tolas. Uma pesquisa recente indicava que 74 por cento dos turcos se opunham a uma intervenção estrangeira na Síria.
Por um lado, isto relaciona-se com o fato de ser evidente para a maioria das pessoas que uma intervenção contra a Síria é um projeto dos EUA. Os turcos odeiam o imperialismo norte-americano. Por outro lado, os alavitas e alauitas turcos sentem-se muito próximos dos sírios.
Continua a crescer que entre a generalidade da população dominou o receio de que uma guerra de agressão desestabilizasse toda a região, e, por consequência, também a Turquia, com repercussões sócio-económicas que o povo sabia que ia pagar.
Depois há a outra face da questão. Até há pouco tempo, Erdogan havia vencido todas as batalhas, todas as eleições e combates políticos internos e externos. Erdogan e o AKP haviam saído sempre por cima. O que a Síria e o povo sírio demonstraram aos turcos é que Erdogan e a sua política podiam ser travados. Isso teve grande impacto e ajudou a vencer o medo. Aumentou os níveis de confiança e a perspectiva de que era possível derrotar Erdogan e o AKP.
Mesmo da parte do imperialismo, julgamos que a não condenação imediata e contundente do movimento de massas na Turquia tem a ver com a tentativa de manter Erdogan controlado.


O imperialismo norte-americano apoia Erdogan e o AKP; apoia a sua política e projeto, mas não pretende que tenham demasiada autonomia.
Mesmo a classificação de «primavera turca» pode ser interpretada nesse contexto. As «primaveras árabes» terminaram, ao fim e ao cabo, ao serviço dos interesses dos EUA. Propagandear que o que aconteceu na Turquia foi uma «primavera turca» é, simultaneamente, uma distorção da realidade e um aviso a Erdogan.

FARC-EP PEDE O FIM DA POLITICA CORRUPTA E CRINOSA NA COLOMBIA

Colômbia
FARC exigem segurança para a oposição
Colombia peace talks with Farc in Cuba make progress
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP) exigem, em nova rodada de negociações, a criação de garantias de segurança individual e para os partidos de oposição.
Esta exigência foi feita no âmbito das conversações de paz que decorrem em Cuba, no capitalino Palácio das Convenções, em Havana, e que contam com o testemunho do Chile e da Venezuela.
Um dos membros da guerrilha, Jesus Santrich, pouco antes do reinício dos trabalhos, no início da semana, leu um comunicado no qual as FARC apresentam as suas propostas sobre «garantias plenas» consagrando o direito ao exercício da oposição política e social e o direito a ser governo.
No documento, as FARC-EP exigem a institucionalização, ao nível do Estado, de mecanismos que garantam, de maneira efetiva, esses direitos. Tal institucionalização compreende a promulgação de legislação especial, incluindo a política criminal, para a «proscrição de práticas clientelistas, corruptas, criminosas e mafiosas, que permeiam o sistema político e de representação, o regime eleitoral e os diferentes poderes públicos».
As FARC propõem, por outro lado, que o governo nacional se comprometa com o desmantelamento efetivo e a proscrição, real e material, das estruturas paramilitares e de toda prática ilegal contra-revolucionária que impeça o livre exercício dos direitos e as garantias à oposição política e social.
Do caderno de exigências do movimento para esta jornada negocial consta também a criação de uma Comissão da Verdade Histórica, que terá como uma das suas incumbências específicas esclarecer as condições em que ocorreu o genocídio contra o partido União Patriótica, os crimes contra seus militantes e simpatizantes, bem como o extermínio de outras forças políticas opositoras.
No caso da União Patriótica exige-se ainda, mediante a promulgação de uma lei especial, o reconhecimento expresso e taxativo da responsabilidade do Estado perante a opinião pública e a comunidade internacional.
As FARC advogam igualmente, através do Estatuto da oposição política e social, o reconhecimento da oposição política e social e do direito a ser governo, e garantias plenas para o exercício da oposição, entre as quais o acesso aos meios de comunicação. A agenda das conversações inclui também o tema agrário, a participação política e outros aspectos, como a atenção às vítimas, o problema do narcotráfico e o fim do conflito.